Crime Ambiental

Presença de plantas vivas de soja durante o vazio sanitário coloca produção do Acre em risco

Portaria Idaf nº 266/2026 estabelece que o vazio sanitário ocorre entre 22 de junho e 20 de setembro, período em que é proibida a existência de plantas vivas de soja em qualquer estágio de desenvolvimento, incluindo plantas voluntárias, conhecidas como soja tiguera ou guaxa

Por Redação ·
Produtores já cadastrados podem acessar o Sistema de Defesa Agropecuária e Florestal (Sisdaf) durante a campanha para incluir a cultura da soja, informar a área plantada e responder às perguntas relacionadas ao plantio. (Foto: Idaf/Secom)

O Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf) está fiscalizando propriedades produtoras de soja em todo o estado para verificar o cumprimento do período de vazio sanitário da cultura.

A eliminação de toda e qualquer planta viva de soja durante esse período é uma obrigação legal e uma das principais medidas para proteger a produção agrícola do estado contra a ferrugem asiática, considerada a doença de maior impacto econômico da cultura da soja.

No Acre, conforme estabelece a Portaria Idaf nº 266/2026, o vazio sanitário ocorre entre 22 de junho e 20 de setembro, período em que é proibida a existência de plantas vivas de soja em qualquer estágio de desenvolvimento, incluindo plantas voluntárias, conhecidas como soja tiguera ou guaxa. A determinação segue as diretrizes do Programa Nacional de Controle da Ferrugem Asiática da Soja (PNCFS), instituído pelo Ministério da Agricultura e Pecuária.

A manutenção dessas plantas permite a sobrevivência do fungo Phakopsora pachyrhizi, agente causador da ferrugem asiática, favorecendo sua multiplicação durante a entressafra. Quando a nova safra é implantada, o patógeno encontra condições ideais para provocar infecções precoces, aumentando significativamente os prejuízos econômicos, elevando os custos de produção e intensificando o uso de fungicidas.

De acordo com a coordenadora do Programa de Sanidade das Grandes Culturas do Idaf, Ligiane Amorim, o cumprimento do vazio sanitário é uma medida indispensável para reduzir a presença do fungo causador da ferrugem asiática entre uma safra e outra.

“Quando o produtor elimina todas as plantas vivas de soja durante o vazio sanitário, ele interrompe o ciclo de sobrevivência do fungo e contribui diretamente para a proteção de toda a cadeia produtiva. Uma única área com soja voluntária pode servir de fonte de inóculo e comprometer lavouras de toda a região. Por isso, a colaboração de cada produtor é fundamental para manter a doença sob controle e garantir uma produção mais segura e sustentável no Acre”, destaca.

Durante a última safra, foram registrados focos da doença no estado, reforçando a necessidade do cumprimento rigoroso das medidas fitossanitárias e da atuação conjunta entre produtores, responsáveis técnicos e o serviço oficial de defesa vegetal para evitar a disseminação da ferrugem asiática e preservar a competitividade da cadeia produtiva da soja.

Além dos impactos sanitários, o descumprimento da legislação pode resultar em sanções administrativas previstas na legislação federal e estadual de defesa sanitária vegetal, incluindo notificações, autuações, multas, determinação para destruição ou desvitalização compulsória das plantas, às custas do produtor, e outras medidas cabíveis, conforme a gravidade da infração constatada durante as fiscalizações realizadas pelo Idaf.

O Idaf reforça que a colaboração dos produtores é essencial para impedir a multiplicação da ferrugem asiática durante o período crítico do vazio sanitário, protegendo não apenas as propriedades individuais, mas toda a agricultura acreana. Em caso de dúvidas, identificação de plantas vivas de soja ou suspeita da doença, os produtores devem procurar imediatamente uma unidade do Instituto.

(Texto de Fabiana Matos)

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