Inflação

Batata, cebola e mamão lideram alta dos alimentos em Rio Branco, aponta Ufac

Apesar da desaceleração da inflação dos alimentos, hortaliças e frutas registraram fortes aumentos em junho; energia elétrica e água seguem como principais pressões sobre o IPCA

Por Luiz Eduardo Souza ·

A inflação dos alimentos perdeu força em junho, mas alguns produtos importantes da cesta do acreano continuaram pesando no bolso do consumidor. Batata-inglesa, cebola e mamão registraram as maiores altas de preços em Rio Branco no mês, segundo o Sistema de Monitoramento da Inflação (SMI), elaborado pelo Programa de Educação Tutorial (PET) de Economia da Universidade Federal do Acre (Ufac), com base nos dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A batata-inglesa liderou a lista dos alimentos com maior aumento de preços, com alta de 11,25%. Na sequência aparecem a cebola, que ficou 8,28% mais cara, e o mamão, com reajuste de 7,55%. Mesmo com essas elevações expressivas, o grupo Alimentação e Bebidas praticamente ficou estável em junho, passando de uma inflação de 0,92% em maio para apenas 0,06%.

De acordo com a análise do PET Economia da Ufac, isso indica que a pressão sobre os alimentos ficou concentrada em poucos itens, sem se espalhar por toda a cesta de consumo das famílias. Entre os produtos que ajudaram a conter a inflação da alimentação estão o contrafilé e o café moído, que registraram queda de preços no mês.

Embora os alimentos tenham chamado atenção, o maior impacto sobre o custo de vida dos moradores de Rio Branco veio da Habitação. O grupo registrou inflação de 1,74%, a maior entre todos os segmentos pesquisados, respondendo por 0,22 ponto percentual do IPCA da capital.

A energia elétrica residencial foi o item que mais pressionou o índice, contribuindo sozinha com 0,15 ponto percentual da inflação de junho. O reajuste de 6% na tarifa de água e esgoto também teve peso relevante, acrescentando outros 0,04 ponto percentual ao indicador.

Com esses movimentos, Rio Branco fechou junho com inflação de 0,29%, acima da média nacional de 0,16% e também superior à média das 16 capitais e regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE, que ficou em 0,21%. A capital acreana ocupou a sétima posição entre as localidades pesquisadas.

Por outro lado, alguns grupos ajudaram a evitar uma inflação ainda maior. Transportes registrou deflação de 0,28%, beneficiado pela redução dos preços da gasolina após o corte anunciado pela Petrobras e pela queda de 4,69% nas passagens aéreas. Artigos de Residência também apresentou retração de 1,12%, com destaque para a redução nos preços de móveis para quarto.

No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação de Rio Branco ficou em 3,74%, abaixo da média nacional de 4,64%. O Índice de Difusão da Inflação (IDI), que mede o percentual de itens com aumento de preços, caiu de 61,6% para 55,8%, indicando que a alta dos preços está menos disseminada entre os produtos e serviços pesquisados.

Na avaliação do PET Economia da Ufac, os resultados mostram que, embora a inflação dos alimentos tenha desacelerado, produtos hortifrutigranjeiros continuam sujeitos a oscilações provocadas por fatores como oferta, sazonalidade, clima e custos logísticos. Já no índice geral, a principal preocupação segue sendo o avanço das despesas com habitação, especialmente energia elétrica e tarifas públicas.

Compartilhe esta notícia
Enviar no WhatsApp
Siga o AC24 Agro
VC Repórter
Flagrou algo no campo? Mande sua pauta ou denúncia pra gente.
(68) 99950-7016

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *