Editorial

O “e se…” que atormenta o Reca

Por Redação ·

É possível que o alerta dado pelo cientista do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia Evandro Ferreira não tenha chegado a quem deveria. Há duas semanas, o professor trouxe a apreensão dos produtores do Reca (Reflorestamento Econômico Consorciado e Adensado) em relação a dois problemas.

O primeiro deles guarda relação à presença de pragas fúngicas que estão atacando os pés de cupuaçu. Os fungos atingem tanto o tronco quanto as raízes das plantas. Esse problema já está sendo pesquisado. Não há literatura específica, mas existe perspectiva de que algum protocolo seja criado em breve.

O segundo problema é mais grave. Trata-se de um problema que está classificado na categoria “e se…”. A monilíase é uma doença conhecida e com protocolos já devidamente conhecidos. Ainda não atingiu os produtores de cupuaçu e cacau do Reca. A apreensão é “e se…” a monilíase entrar no Reca, como será?

Esse é o fantasma que atormenta os produtores e a direção da cooperativa. O motivo é simples: 60% do faturamento do Reca vêm da cadeia produtiva do cupuaçu. Portanto, uma das respostas ao “e se…” já é, financeiramente, conhecida: será o caos. São mais de três mil famílias que dependem da estrutura das agroindústrias instaladas no Reca para beneficiar a produção.

Os protocolos sanitários para a monilíase são drásticos. Exigem tempo de recuperação que traria um impacto da ordem de milhões de reais à economia da região. O que está deixando os produtores cada vez mais intrigados é o porquê de a Embrapa não estar envolvida com a necessária gravidade no problema.

O Idaf do Acre está presente. Com aparato tecnológico e conhecimento, o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre tem mapeado o problema da monilíase em todo o Acre. E tem prestado a assistência também ao Reca, mesmo com a cooperativa pertencendo geograficamente à Rondônia. O Idaf sabe que proteger o Reca é proteger o Acre também, do ponto de vista sanitário. E os produtores sabem que, se o problema se instalar no Reca, o Idaf vai fazer cumprir a lei. E isso não será bom para ninguém.

O que os produtores argumentam é que o Idaf tem limitações institucionais e operacionais. O desenvolvimento de cultivares resistentes à monilíase é uma demanda que exige ação prática de instituições como Embrapa, Ufac e Universidade Federal de Rondônia (Unir).

O ac24agro faz um apelo ao reitor da Ufac que assumirá o cargo nesta segunda-feira (12), Josimar Batista, que atente para esta situação. A Ufac é uma instituição muito relevante para abrir mão de não intervir na busca de uma solução. Ainda mais com um reitor cuja formação é na área da engenharia agronômica. O próximo chefe Geral da Embrapa Acre também não pode se calar diante da gravidade do que os produtores estão alertando.

Pode não parecer, mas o momento é de muita gravidade. Os produtores e a direção do Reca estão chamando a atenção das instituições. Quem tiver ouvidos que ouça.

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