O Acre está entre os estados da Região Norte que devem apresentar condições mais favoráveis para o desenvolvimento das lavouras nos próximos meses. De acordo com o Boletim nº 5 do Painel El Niño 2026- 2027, divulgado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) no final de outubro, a recuperação gradual da umidade do solo no estado deve beneficiar atividades importantes da agricultura, especialmente o plantio da safra de verão.
Na prática, isso significa que o solo tende a manter níveis mais adequados de água para o desenvolvimento das culturas, favorecendo desde a semeadura até o crescimento das plantas. A previsão também indica cenário positivo para a floração e o enchimento de grãos da soja, além do desenvolvimento do milho, duas das principais culturas cultivadas no país.
Apesar das perspectivas favoráveis, o boletim alerta para a possibilidade de chuvas acima da média em determinados períodos, principalmente em janeiro.
O excesso de umidade pode provocar encharcamento do solo e aumentar a incidência de doenças causadas por fungos, exigindo maior atenção dos produtores no manejo das lavouras.
O cenário contrasta com o de outras áreas da Amazônia, onde a previsão de chuvas abaixo da média e temperaturas mais elevadas deve ampliar a restrição hídrica, dificultando o desenvolvimento das culturas agrícolas e aumentando o risco de incêndios em áreas de pastagem e produção rural.
Medidas emergenciais e ações de longo prazo
Diante dos impactos causados pelos eventos climáticos extremos, a Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri) tem atuado no atendimento imediato às famílias afetadas e a implementação de medidas voltadas à mitigação dos efeitos de futuras estiagens e enchentes.
Segundo o diretor de Pesquisa, Tecnologia e Inovação do Agronegócio da Seagri, Thiago Alencar, as ações buscam tanto amparar os produtores que já sofrem os impactos das condições climáticas quanto fortalecer a capacidade de resposta do setor agropecuário em cenários semelhantes.
Entre as medidas emergenciais estão a entrega de cestas básicas, água potável e apoio logístico às famílias produtoras atingidas. Na área da comercialização, programas de compra governamental também têm sido utilizados para garantir renda e mercado aos agricultores familiares.
De acordo com Thiago, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) movimenta R$ 11,27 milhões, beneficiando 1.898 produtores rurais. Já o Programa Estadual de Aquisição de Alimentos (PEAA) destina R$ 4,1 milhões para atender 311 famílias produtoras.
“Na frente de mitigação, a Seagri desenvolve um projeto estimado em R$ 37 milhões, atualmente em fase administrativa de aquisição. A iniciativa prevê investimentos em estruturas de armazenamento e acesso à água, incluindo caixas d'água, geomembranas, perfuração de poços e outras soluções voltadas à segurança hídrica no campo”, destaca.
Os investimentos também abrangem a mecanização agrícola. Nos últimos quatro anos, segundo a secretaria, foram mecanizados cerca de 22 mil hectares, com atendimento a 9.110 produtores e a construção de 4,2 mil açudes e tanques para armazenamento de água.
Outra estratégia adotada pelo governo estadual é a melhoria da fertilidade dos solos. Nesse período, a Seagri distribuiu 4.247 toneladas de calcário e 854 toneladas de adubo para produtores de 18 municípios acreanos.
A pasta também avança na implantação de sistemas de irrigação por gotejamento em propriedades familiares das regionais do Alto e do Baixo Acre.
“Nosso objetivo é reduzir os impactos imediatos sobre as famílias rurais, mas também criar condições para que a agricultura e a pecuária acreanas estejam mais preparadas e resilientes diante dos desafios climáticos”, destaca Thiago Alencar.
