O comércio internacional do Acre tem passado por mudanças nos últimos três anos, especialmente na composição dos produtos exportados que sustentam a balança comercial. O indicador, que mede a diferença entre exportações e importações, é uma das principais ferramentas para identificar os setores que mais movimentam recursos no mercado externo e contribuem para a entrada de divisas na economia estadual.
Em 2025, a balança comercial acreana acumulou superávit de US$ 93,6 milhões, impulsionada principalmente pelas exportações de carne bovina, carne suína, soja, frutas e nozes não oleaginosas, frescas ou secas.
Os principais mercados compradores foram Peru, Emirados Árabes Unidos e Turquia. Em contraste com anos anteriores, a madeira, que já liderou as exportações do estado, representou apenas 5% das vendas ao exterior, evidenciando a mudança no perfil da pauta exportadora acreana.
Para o economista Carlos Franco, a mudança no perfil das exportações acreanas é resultado de uma combinação de fatores conjunturais e estruturais. De um lado, a forte demanda internacional por produtos da agropecuária e os preços favoráveis no mercado externo impulsionaram o crescimento das exportações de carne.
De outro, investimentos públicos e políticas de incentivo criaram as condições necessárias para que a economia estadual acompanhasse essa transformação.
“Essa mudança é resultado de uma combinação de fatores. Há uma conjuntura favorável, marcada pela forte demanda e pelos bons preços da carne no mercado internacional. Ao mesmo tempo, foram criadas condições estruturais para sustentar esse crescimento, com incentivos do governo estadual e federal que ajudaram a tornar viável a expansão da cadeia produtiva. Portanto, a alteração no perfil das exportações não ocorre apenas por causa do mercado, mas também pelo fortalecimento da estrutura econômica que dá suporte a essa atividade”, explica o economista.

O fato de a carne ter ultrapassado os produtos florestais nas exportações do Acre reflete uma tendência de crescimento que vem se consolidando há vários anos. Segundo ele, o desempenho é resultado de políticas de incentivo ao setor, da ampliação da produção e da abertura de novos mercados para a carne acreana.
“O crescimento das exportações de carne representa um fortalecimento da cadeia produtiva da pecuária. Há uma tendência de expansão que já dura alguns anos e que foi impulsionada tanto por apoios governamentais quanto pela conquista de novos mercados. A pecuária brasileira e a do Acre continuam crescendo e ainda há espaço para aumento da produtividade com o uso de tecnologia”, afirma.

Franco avalia que a carne deve continuar ocupando posição de destaque na balança comercial acreana nos próximos anos. Para ele, a expansão do setor pode estimular novos investimentos industriais no estado, especialmente na área de processamento e beneficiamento.
“A carne tende a continuar gerando o maior retorno econômico para o Acre no médio prazo. Esse cenário de crescimento e expansão pode atrair investimentos em novas plantas industriais, fortalecendo ainda mais a cadeia produtiva e o volume de exportações”, finaliza.
