Um relatório técnico da Diretoria de Pesquisa, Tecnologia e Inovação do Agronegócio da Secretaria de Estado de Agricultura do Acre (Seagri) estima que o evento de El Niño intenso poderá provocar perdas de R$ 202 milhões no Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária acreana, o equivalente a 4,1% do total projetado para 2026.
A estimativa foi elaborada com base nos impactos observados durante os episódios de El Niño de 2015-2016 e 2023-2024 e indica que os prejuízos, concentrados nas colheitas de 2027, podem variar entre R$ 89 milhões e R$ 398 milhões.
Em termos proporcionais, milho, feijão e café aparecem entre as culturas mais afetadas. Já mandioca e pecuária concentram as maiores perdas econômicas em valor absoluto.

O Painel El Niño 2026-2027, divulgado em setembro pelos órgãos de monitoramento, aponta para a continuidade e intensificação do fenômeno. As projeções indicam seca prolongada e redução drástica dos níveis do Rio Acre, além de ondas de calor extremo, com temperaturas acima de 35 °C.
“O ponto mais sensível para a agricultura é que o fenômeno coincide com a janela de plantio, de outubro a dezembro, quando se plantam milho, feijão e arroz e se renovam os roçados de mandioca. O oeste do estado (Juruá, Tarauacá-Envira e Purus) é a região mais exposta. As chuvas voltaram ao Juruá no fim de outubro, o que alivia o plantio, mas a previsão segue abaixo da média até janeiro”, explica Thiago de Almeida Alencar, diretor de Pesquisa, Tecnologia e Inovação do Agronegócio da Seagri.
Ele explica ainda que o estudo utiliza estimativas preliminares, feito a partir da nota técnica, de dados do IBGE e do Valor Bruto da Produção e que, por isso, são estimativas por cenários, não um levantamento de campo. Porém, o levantamento por município já está sendo realizado pela equipe.
“A projeção indica que aproximadamente 15,9 mil famílias agricultoras poderão ser afetadas, principalmente no oeste do Acre. No cenário-base, estima-se perda de R$ 202 milhões na agropecuária, equivalente a 4,1% do valor bruto da produção de 2026, com redução de 7,9% nas lavouras e de 2,5% na pecuária”, pontua.
R$ 37 milhões em investimentos
Como secretaria de fomento, a Seagri atua em duas frentes: ação imediata, para quem já está sendo afetado, e mitigação, para que o produtor esteja mais preparado quando um cenário parecido se repetir.

“O governo do Estado tem atuado em duas frentes para reduzir os impactos dos eventos climáticos extremos sobre a produção rural. Além da entrega de cestas básicas, água potável e apoio logístico às famílias atingidas, programas como o PAA [Programa de Aquisição de Alimentos] e o PEAA [Plano Estadual Amazônia Agora] garantem mercado para a agricultura familiar. Paralelamente, estão em andamento investimentos de R$ 37 milhões em infraestrutura hídrica, armazenamento, irrigação e mecanização, fortalecendo a resiliência do
setor produtivo”. Diante do alerta para a possibilidade de um novo evento de El Niño e dos impactos que o fenômeno pode causar à produção rural, a Seagri vem adotando uma série de medidas preventivas para fortalecer a agricultura familiar e reduzir a vulnerabilidade do setor agropecuário acreano.
Segundo o chefe da Divisão de Programas e da Divisão de Pesquisa Agropecuária da Seagri, Marcos Sant’ana, o trabalho está estruturado em duas frentes principais: o monitoramento dos riscos e o fortalecimento da capacidade produtiva das propriedades rurais.
