Pecuarização

Estudo aponta avanço da pecuária em áreas próximas à Reserva Chico Mendes

Pesquisa da Ufac revela que unidade mantém alta preservação florestal, enquanto ramais e estradas concentram a pressão do desmatamento no entorno

Por Redação ·
Criação de gado em áreas da Resex Chico Mendes é permitida, mas precisa seguir regras de uso sustentável previstas no plano de manejo.. Operação Suçuarana - Foto: Acervo/ICMBio

A expansão da pecuária e a abertura de ramais estão entre os principais fatores associados ao avanço do desmatamento nas áreas próximas à Reserva Extrativista Chico Mendes, no sul do Acre. A constatação faz parte de uma pesquisa da Universidade Federal do Acre (Ufac), que avaliou mais de três décadas de transformação da cobertura vegetal e identificou diferenças significativas entre o interior da unidade de conservação e seu entorno.

O levantamento utilizou dados do Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), referentes ao período de 1990 a 2024. A equipe também analisou a localização de estradas, ramais, cursos d’água e os limites oficiais da reserva, considerando uma faixa de 10 quilômetros ao redor da unidade. A comparação mostrou que a floresta permanece predominante dentro da Resex, onde mais de 89% da cobertura original ainda está preservada.

A dinâmica encontrada fora dos limites da reserva é diferente. No entorno, as áreas desmatadas tendem a ser maiores e mais conectadas, principalmente nas proximidades de estradas e ramais. Os municípios de Xapuri e Brasiléia aparecem entre as áreas onde a pressão sobre as bordas da unidade é mais evidente, com a ocupação agropecuária avançando sobre regiões próximas à reserva.

Dentro da Resex, segundo os pesquisadores, o desmatamento ocorre principalmente em pequenas áreas isoladas. Esse padrão é associado às atividades extrativistas e aos sistemas produtivos de menor escala desenvolvidos pelas comunidades que vivem na unidade. A diferença em relação ao entorno indica que a reserva contribui não apenas para manter a cobertura florestal, mas também para dificultar a expansão contínua da fronteira agropecuária.

Apesar do papel de proteção, o estudo alerta que a pressão nas bordas exige atenção. A abertura de novos ramais pode facilitar o acesso a áreas florestais e estimular processos de ocupação e transformação do território. Por isso, os pesquisadores defendem o fortalecimento da governança comunitária e das ações de monitoramento e controle nas áreas próximas à reserva.

O trabalho, intitulado “Reserva Extrativista Chico Mendes: Entre a Conservação e o Desmatamento na Amazônia Sul-Ocidental”, foi elaborado pelas professoras Karla da Silva Rocha e Andréa Alechandre e pelos estudantes Osmar Philipe Barbosa Farrapo, Wilcilene da Silva Carneiro, Luana Beatriz Silva Sarmento e Leonardo Hadad de Oliveira. A pesquisa foi apresentada em dezembro de 2025, durante evento científico realizado no Instituto de Geociências da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

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