A safra brasileira de cana-de-açúcar 2026/27 deve alcançar 705,2 milhões de toneladas, alta de 4,7% em relação ao ciclo anterior, segundo levantamento do Departamento Econômico da Faesp, com base em dados da Conab. O crescimento é atribuído principalmente à recuperação da produtividade, favorecida pelas condições climáticas durante o desenvolvimento das lavouras.
Apesar da maior oferta de cana, a produção de açúcar deve cair 2,9%, para 42,9 milhões de toneladas. A expectativa é de que as usinas direcionem uma parcela maior da matéria-prima para o etanol, diante da maior demanda pelo combustível. A produção total de etanol deve chegar a 41,9 bilhões de litros, avanço de 11,7%, com destaque para o etanol de milho, que deve crescer 17%, atingindo 11,9 bilhões de litros.
São Paulo continuará como principal produtor de cana, com estimativa de 362,8 milhões de toneladas, alta de 4,3%. No estado, a produção de açúcar deve recuar 2%, enquanto a fabricação de etanol deve crescer 4,5%, chegando a quase 13 bilhões de litros. A maior procura pelo biocombustível e a necessidade de geração mais rápida de caixa também influenciam a decisão das usinas de ampliar a destinação da cana para o etanol.
O etanol de milho ganha cada vez mais espaço, especialmente no Centro-Oeste, onde Mato Grosso e Mato Grosso do Sul ampliam a produção. Para a safra 2026/27, o combustível produzido a partir do cereal deve representar 28,4% do etanol nacional, consolidando a região como principal polo produtor. A expansão reforça a diversificação da matriz de biocombustíveis brasileira e reduz a distância entre os estados do Centro-Oeste e São Paulo na produção de etanol.
