A queda nos preços dos alimentos produzidos pelo agronegócio foi decisiva para conter a inflação brasileira em julho e trouxe alívio ao bolso dos consumidores, especialmente na Região Norte. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial, desacelerou para 0,06% no mês, após registrar alta de 0,41% em junho, informou o IBGE.
O principal fator para a desaceleração foi o grupo Alimentação e Bebidas, que apresentou queda de 0,66%, retirando 0,15 ponto percentual do índice geral. A alimentação consumida dentro de casa recuou 1,14%, impulsionada pela maior oferta de produtos agrícolas e pela sazonalidade das colheitas.
Entre os produtos que mais contribuíram para a redução da inflação estão o tomate, que caiu 19,95%, a batata-inglesa, com retração de 10,03%, e o café moído, que ficou 3,13% mais barato. Em contrapartida, alguns itens registraram aumento, como a cebola (7,10%) e o pão francês (0,65%).
Na Região Norte, o destaque foi Belém (PA), que apresentou a menor inflação entre as áreas pesquisadas pelo IBGE, com queda de 0,22%. O resultado foi influenciado principalmente pelo recuo de 19,45% no preço do açaí — um dos alimentos mais consumidos na Amazônia — além da redução de 3,35% no preço da gasolina.
Para o agronegócio, os números reforçam o impacto da oferta agrícola sobre o comportamento da inflação. A maior disponibilidade de hortaliças e outros alimentos in natura ajudou a reduzir os preços ao consumidor, evidenciando como o desempenho das lavouras influencia diretamente o custo de vida das famílias brasileiras.
Apesar da desaceleração da inflação, o grupo Habitação impediu uma queda ainda maior do índice. A energia elétrica residencial subiu 3,03% em julho, refletindo a adoção da bandeira tarifária amarela e reajustes em concessionárias de diferentes estados. O aumento foi o principal impacto individual do mês.
Nos transportes, a alta de 11,70% nas passagens aéreas compensou parcialmente a queda de 0,90% nos combustíveis. Etanol, diesel, gás veicular e gasolina registraram redução de preços durante o período.
Com o resultado de julho, o IPCA-15 acumula alta de 3,51% em 2026 e de 4,52% nos últimos 12 meses, abaixo dos 4,80% registrados no levantamento anterior, indicando uma perda gradual de força da inflação, impulsionada principalmente pelo comportamento favorável dos preços dos alimentos.