Os estoques de Cédula de Produto Rural (CPR) chegaram a R$ 600,3 bilhões em agosto de 2026, distribuídos em 359 mil cédulas, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O valor representa um dos principais instrumentos de financiamento utilizado pelo setor agropecuário e acompanha o início da safra 2026/27.
O ticket médio das CPRs ficou em R$ 1,67 milhão. Considerando os títulos emitidos entre julho e agosto, período correspondente aos dois primeiros meses da atual safra, foram registradas R$ 62,50 bilhões em novas CPRs.
Os números fazem parte do Boletim de Finanças do Agro, divulgado mensalmente pelo Mapa por meio do Departamento de Política de Financiamento ao Setor Agropecuário da Secretaria de Política Agrícola. O levantamento reúne informações sobre diferentes instrumentos utilizados para movimentar recursos destinados às cadeias produtivas do campo.
Entre os títulos acompanhados pelo boletim também está a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), que apresentou estoque de R$ 561,29 bilhões. Pelas regras atuais do Manual de Crédito Rural, pelo menos 60% desse montante, o equivalente a R$ 336,77 bilhões, deve ser direcionado ao financiamento do setor agropecuário.
Dentro desse valor, ao menos 45%, ou R$ 151,55 bilhões, precisa ser destinado ao crédito rural oficial. Os números consideram tanto recursos relacionados à safra 2026/27 quanto contratos que continuam em aberto de safras anteriores.
Já o Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) registrou estoque de R$ 174,95 bilhões em julho. No mesmo período, o Certificado de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA) somou R$ 30,62 bilhões.
Outro instrumento acompanhado pelo Mapa é o Fiagro, fundo voltado às cadeias agroindustriais. Em julho de 2026, os Fundos de Investimento em Cadeias Agroindustriais apresentaram patrimônio líquido de R$ 65,78 bilhões, distribuído entre 291 fundos.
Os dados mostram a dimensão dos diferentes mecanismos financeiros que integram o mercado de crédito e de investimentos ligado ao agronegócio brasileiro, além da participação crescente de instrumentos privados na movimentação de recursos para o setor.