O custo da cesta básica caiu 1,74% em Rio Branco entre junho e julho de 2026, passando a R$ 692,04, segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Apesar da redução mensal, o valor dos alimentos acumula alta de 10,53% desde o início do ano e de 7,93% nos últimos 12 meses.
Com o resultado de julho, Rio Branco aparece com a 19ª cesta básica mais cara entre as 27 capitais pesquisadas. O valor representa 46,15% do salário mínimo de R$ 1.621,00, considerando o salário bruto.
Entre junho e julho, seis dos 12 produtos que compõem a cesta pesquisada na capital acreana apresentaram redução de preço. A queda mais expressiva ocorreu no tomate, enquanto também houve recuos no arroz agulhinha e na manteiga.
Por outro lado, outros produtos registraram alta no período, entre eles o pão francês, leite integral, farinha de mandioca, banana e óleo de soja.
Tomate e feijão pressionam cesta no ano
Apesar da queda mensal do custo da cesta, alguns alimentos acumulam aumentos significativos em Rio Branco ao longo de 2026.
Entre dezembro de 2025 e julho de 2026, o tomate teve alta de 40,39%, enquanto o feijão carioca aumentou 36,09%. A carne bovina de primeira subiu 10,69%, seguida pelo leite integral, com alta de 8%, pão francês, com 4,02%, e arroz agulhinha, com 3,14%.
No acumulado de 12 meses, o feijão carioca apresentou a maior alta entre os itens pesquisados, de 33,03%. A carne bovina de primeira subiu 19,09%, enquanto a banana aumentou 15,38%.
Também tiveram alta no período de um ano o tomate, com 6,61%, o leite integral, com 4,85%, e o pão francês, com 2,57%.
Em sentido contrário, alguns produtos ficaram mais baratos na comparação com julho de 2025. Entre eles estão o açúcar cristal, a farinha de mandioca, o café em pó, o arroz agulhinha e a manteiga.
Carne bovina sobe 19% em um ano
Um dos principais destaques da pesquisa em Rio Branco é o comportamento da carne bovina de primeira. O produto acumulou alta de 19,09% em 12 meses, uma das maiores variações registradas entre os itens da cesta na capital.
Segundo a análise do DIEESE, a oferta de animais prontos para o abate esteve mais restrita, enquanto as exportações apresentaram bom desempenho. Ao mesmo tempo, os preços elevados no varejo e a menor demanda limitaram o repasse integral das altas para o consumidor.
O cenário ajuda a explicar a pressão exercida pela proteína sobre o orçamento das famílias acreanas.
Trabalhador precisa de quase 94 horas para comprar a cesta
Em julho, o trabalhador de Rio Branco remunerado pelo salário mínimo precisou trabalhar 93 horas e 55 minutos para adquirir os produtos da cesta básica.
O tempo representa uma redução em relação a junho, quando eram necessárias 95 horas e 35 minutos de trabalho. Porém, na comparação com julho de 2025, houve aumento: naquele mês, eram necessárias 92 horas e 55 minutos.
Considerando o salário mínimo líquido, após o desconto de 7,5% da Previdência Social, a cesta consumiu 46,15% da renda do trabalhador em julho.
Em junho, esse comprometimento era de 46,97%, enquanto em julho de 2025 correspondia a 45,66%.
Rio Branco fica abaixo das maiores cestas do país
Entre as 27 capitais pesquisadas, São Paulo apresentou o maior custo da cesta básica em julho, de R$ 915,01. Na sequência apareceram Cuiabá, com R$ 881,27, Florianópolis, com R$ 860,73, e Rio de Janeiro, com R$ 855,37.
No Norte e Nordeste, onde a composição da cesta possui algumas diferenças — como a pesquisa da farinha de mandioca no lugar da farinha de trigo e a ausência da batata — os menores valores foram registrados em Aracaju, Maceió, Natal e João Pessoa.
Rio Branco registrou R$ 692,04, acima de Porto Velho, que teve cesta de R$ 684,83, mas abaixo de Palmas, com R$ 731,89, Boa Vista, com R$ 730,74, Belém, com R$ 724,10, e Macapá, com R$ 713,29.
Cesta cai em 26 capitais
O movimento de queda observado em Rio Branco acompanhou o cenário nacional. Em julho, o custo da cesta básica diminuiu em 26 das 27 capitais pesquisadas pelo DIEESE e pela Conab.
As maiores reduções ocorreram em Natal, Maceió, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Brasília, João Pessoa, Salvador, Fortaleza e Florianópolis. A única alta foi registrada em São Luís, de 0,30%.
Mesmo com a redução generalizada no mês, todas as 27 capitais acumularam alta no preço da cesta básica entre janeiro e julho de 2026. As variações ficaram entre 4,28%, em Campo Grande, e 15,68%, em Porto Velho.
Para uma família de quatro pessoas, o DIEESE estimou em julho que o salário mínimo necessário para cobrir despesas básicas deveria ser de R$ 7.687,01, valor equivalente a 4,74 vezes o salário mínimo oficial de R$ 1.621,00.