Cesta básica consome mais de 40% da renda do trabalhador da Capital

Mesmo com alta leve em fevereiro, capital acreana segue pressionada pelo custo dos alimentos, enquanto levantamento do DIEESE e da Conab aponta aumento em 14 capitais do país

Luiz Eduardo Souza

O custo da cesta básica em Rio Branco registrou leve alta de 0,10% em fevereiro de 2026 na comparação com janeiro, segundo levantamento do DIEESE em parceria com a Conab. Apesar da variação moderada no mês, o dado reflete a pressão contínua sobre o custo dos alimentos básicos e o impacto direto no orçamento das famílias acreanas.

Na capital acreana, o valor médio da cesta chegou a R$ 631,83, colocando Rio Branco entre as cidades com custo intermediário no país. No acumulado do ano, no entanto, houve recuo de 0,91%, indicando um comportamento mais estável em relação a outras capitais brasileiras.

Entre os produtos que mais pesaram no bolso do consumidor em fevereiro estão a carne bovina de primeira, que subiu 2,93%, o feijão carioca (2,54%), a farinha de mandioca (1,26%) e o tomate (0,93%). Por outro lado, itens importantes da alimentação apresentaram queda, como o óleo de soja (-5,27%), o leite integral, a banana e o café em pó, ajudando a conter um aumento mais expressivo da cesta.

O cenário em Rio Branco acompanha uma tendência nacional. De acordo com o levantamento, o custo da cesta básica aumentou em 14 das 27 capitais pesquisadas entre janeiro e fevereiro. As maiores altas foram registradas em cidades do Nordeste, como Natal, João Pessoa e Recife. Já São Paulo segue com a cesta mais cara do país, chegando a R$ 852,87, enquanto Aracaju apresentou o menor custo médio, de R$ 562,88.

Outro dado que chama atenção é o impacto da cesta no rendimento do trabalhador. Em Rio Branco, um trabalhador que recebe salário mínimo precisou comprometer cerca de 42,14% da renda líquida para adquirir os itens básicos, o equivalente a 85 horas e 45 minutos de trabalho. Esse comprometimento praticamente se manteve estável em relação a janeiro, mas ainda evidencia o peso da alimentação no orçamento.

No cenário nacional, o tempo médio necessário para comprar a cesta básica nas 27 capitais foi de 93 horas e 53 minutos. Já o salário mínimo ideal, calculado pelo DIEESE para cobrir despesas de uma família de quatro pessoas, deveria ser de R$ 7.164,94 em fevereiro — mais de quatro vezes o valor atual.

A pesquisa também aponta que fatores como oferta restrita, dificuldades na colheita e variações cambiais seguem influenciando os preços dos alimentos. Mesmo com algumas quedas pontuais, o custo da cesta básica continua elevado, mantendo a pressão sobre o poder de compra da população.

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