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Energia elétrica puxa inflação para baixo no Acre

Efeito Itaipu: como um único item derrubou o IPCA de Rio Branco e do Brasil em agosto de 2026, de acordo com o Sistema de Monitoramento da Inflação (SMI). Entre os alimentos, o limão foi o vilão da alta

Por Itaan Arruda ·
Dados foram analisados pela equipe do PET/Economia da Ufac. (Foto: ac24horas/arquivo)

Em agosto de 2026, o IPCA nacional recuou 0,32%, puxado por Habitação e Transportes, com destaque para a queda da energia elétrica ligada ao bônus de Itaipu. Rio Branco também fechou negativo, em 0,17%, a terceira menor queda entre as dezesseis capitais pesquisadas e bem acima da média regional de 0,33%.

No Acre, a energia elétrica residencial explica quase sozinha esse resultado: o impacto isolado desse fator, de 0,37 ponto percentual, supera a própria queda geral. Sem esse item, o índice teria fechado positivo, perto de 0,20%. Vestuário, despesas pessoais e educação subiram e amenizaram o tombo puxado por Habitação.

Por trás do número negativo, porém, o quadro muda: o Índice de Difusão da Inflação saltou para 59,5%, mostrando que a maioria dos itens encareceu, e os núcleos de inflação, sobretudo o MA, seguem positivos pelo segundo mês seguido. A deflação de agosto reflete um efeito pontual, não uma queda ampla de preços.

Rio Branco fechou agosto de 2026 com IPCA de -0,17%, acima da média nacional (-0,32%) e da média das dezesseis capitais e regiões metropolitanas pesquisadas (-0,33%), assumindo a 3a posição entre as menores quedas, atrás apenas de Brasília e Fortaleza.

O resultado acompanha a mesma direção observada no país, que emendou o menor IPCA de 2026, mas com intensidade bem mais suave: enquanto o Brasil recuou de 0,07% em julho para-0,32% em agosto, Rio Branco também mudou desinal, saindo de 0,32% para -0,17%, um movimento puxado quase inteiramente pela energia elétrica residencial, beneficiada pelo bônus de Itaipu concedido aos consumidores em todo o país.

Quem fez os preços subirem

Mesmo em um mês de índice geral negativo, três grupos seguraram parte da barra e evitaram uma deflação ainda mais funda: vestuário (0,12 ponto percentual), Despesas pessoais (0,09) e Educação (0,04).

Juntos, eles compensaram boa parte do tombo puxado por habitação e levaram o índice de Rio Branco para bem mais perto de zero do que se esperaria olhando apenas para o grupo mais pesado da cesta. No nível dos itens individuais, o cigarro foi o principal responsável por essa contenção, como maior impacto isolado do mês entre os itens em alta (0,07 ponto percentual) e a segunda maior variação percentual entre os bens e serviços pesquisados (+15,26%), atrás apenas do limão. Motocicleta e camisa/camiseta masculina, cada um com impacto de 0,04 p.p., completam a lista dos itens que mais empurraram o índice para cima.

Do lado dos alimentos, o destaque isolado ficou com o limão, que disparou 64,54% em razão da entressafra da fruta em nível nacional, período em que a oferta mais restrita costuma pressionar os preços para cima. Em Rio Branco, esse movimento já aparece nas prateleiras dos supermercados, onde o quilo do limão gira em torno de R$ 10. Apesar da alta expressiva, o item não aparece entre os maiores impactos, sinal de peso pequeno na cesta local, padrão semelhante ao de batata-doce (+6,50%) e farinha de mandioca (+4,37%).

Acesse o relatório completo em: https://zenodo.org/records/22738118 Publicação: 13 de setembro de 2026 Referência: Agosto / 2026 Coordenador: Dr. Rubicleis G. Silva

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