Cafés Especiais

Melhor canéfora do país vem da Amazônia: dois são do Acre

Todos os finalistas do mais prestigiado concurso de cafés canéforas do Brasil, o The Best of Canéfora, são da região Amazônica. E o Acre está com dois produtores entre os melhores

Por Itaan Arruda · · Atualizado em
Produtores de Brasileira e Xapuri estão entre os finalistas de melhores cafés especiais do país. (Foto: Cedida)

José Sebastião, produtor de Xapuri e ganhador do QualiCafé 2025, e Jorge Pereira da Silva Souza, do café Raízes da Floresta, produtor da Reserva Extrativista Chico Mendes em Brasileia, são os dois acreanos finalistas do prestigiado The Best os Canéfora. É um dos concursos mais importantes do país e tinha supremacia histórica das regiões Sul e Sudeste. Este ano de 2026, a história será outra. Todos os finalistas são da região Amazônica.

Todos os finalistas são dos estados de Rondônia, Acre e Amazônia. Isso é um marco. “A partir dessa classificação, conforme previsto no regulamento, cada produtor deverá encaminhar um lote de 42 Kg de café para Cacoal. Desse lote será retirada uma nova amostra, que passará por uma nova avaliação na próxima etapa do concurso”, explica a diretora do Núcleo do Café da Secretaria de Estado de Agricultura, Michelma Lima. “Caso esses cafés avancem e fiquem entre os melhores colocados, os lotes seguem para o leilão. Então é um processo por etapas, e esse resultado que recebemos agora é a classificação dos cafés para a próxima fase”.

Foram 25 finalistas. Cinco são do Amazonas; dois do Acre e o restante de Rondônia. “Estou muito feliz com o que estamos conseguindo apresentar junto com os produtores”, comemora a diretora da Seagri. “Foram 56 amostras, de alto nível. Ficar entre os 24 melhores, é uma vitória”.

Os técnicos em café da Seagri avaliam que um dos fatores que acabou dificultando a participação do Acre foram os prazos. A BSCA, a Associação Brasileira de Cafés Especiais, divulgou o edital e abriu as inscrições já no início de agosto. “As amostras precisavam chegar a Varginha, em Minas Gerais, até o final do mesmo mês”, lembra a diretora da Seagri.

É preciso lembrar que esse processo de envio de amostras é complexo: o produtor precisa se organizar, fazer o beneficiamento e a limpeza do café e preparar a amostra. Sem contar a logística de envio do material do Acre para o interior de Minas Gerais dentro do prazo estabelecido pelo concurso. Outro gargalo é o preço da inscrição, um custo que, nem sempre, o produtor de base familiar do Acre tem à disposição.

Os estados de Minas Gerais e Espírito Santo são os maiores do país. E eles também produzem cafés canéforas (conilon e robusta). Por isso, a diretora da Seagri comemora o feito. É um cenário incomum. “A proposta do concurso é justamente identificar a dar visibilidade aos melhores canéforas do país, mostrando a evolução da qualidade dessa espécie que, durante muito tempo, não teve o mesmo espaço dos cafés arábicas nos concursos de qualidade”, avalia Michelma Lima.

No período de 24 a 27 de novembro, acontece a Fase Internacional, em Varginha/MG. E no dia 29 de novembro será publicado o resultado final, com a premiação em Cacoal/RO e o leilão dos cafés vencedores.

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