O fortalecimento da agricultura familiar passa pela criação de alternativas para a venda da produção rural. Durante sua participação como convidada da semana do Agro24Cast, a secretária de Estado de Agricultura, Temillys Silva, defendeu a ampliação das políticas públicas de aquisição de alimentos e o incentivo à industrialização como caminhos para aproximar produtores dos mercados consumidores.
Segundo a secretária, a atuação da Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri) está voltada ao incentivo à produção e à articulação com outras instituições para buscar soluções que facilitem a comercialização dos alimentos.
“É importante esclarecer que a Secretaria de Agricultura fomenta a produção. A garantia de compra é uma articulação que podemos fazer”, afirmou.
Temillys citou o Programa Estadual de Aquisição de Alimentos (PEAA) como uma das iniciativas que podem contribuir para aproximar agricultores das demandas de órgãos públicos. Para ela, o diálogo entre as instituições é importante para identificar oportunidades de compra e encontrar alternativas para o escoamento da produção.
A secretária também destacou a necessidade de estabelecer critérios objetivos na definição dos preços pagos aos produtores. “Eu concordo que não podemos explorar a questão do preço. Temos que trabalhar com preço médio”, declarou.
Como exemplo, ela mencionou o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), na modalidade voltada a povos indígenas, e comparou os critérios utilizados nas compras institucionais com as formas de comercialização encontradas nas feiras.
“Se você for à feira hoje, compra banana pelo cacho, e não pelo peso. A gente paga pelo peso”, disse.
Industrialização pode agregar valor
Além das compras públicas, Temillys defendeu o investimento em políticas de industrialização para ampliar as possibilidades de aproveitamento da produção agrícola.
O processamento de alimentos pode abrir novos mercados, aumentar o prazo de conservação dos produtos e permitir que os agricultores comercializem mercadorias com maior valor agregado. A estratégia também pode contribuir para reduzir a dependência da venda de produtos in natura.
“Precisamos fomentar, e não comprar. Precisamos de políticas públicas de compra, de industrialização”, afirmou a secretária.
A avaliação é de que o incentivo à produção precisa estar acompanhado de iniciativas que ajudem os agricultores a encontrar compradores e diversificar os canais de venda. Nesse contexto, programas de aquisição de alimentos e investimentos no processamento da produção podem integrar uma estratégia de fortalecimento da agricultura familiar.