Economia

Juros do crédito rural quase triplicam despesas e elevam inadimplência no país

Estudo do Cepea aponta que taxa média dos financiamentos dobrou entre 2021 e 2025, enquanto atrasos chegaram a 9,7% em agosto de 2026

Por Redação ·

O aumento dos juros do crédito rural elevou o custo das dívidas e contribuiu para o avanço da inadimplência entre produtores brasileiros. Entre 2021 e 2025, a taxa média dos financiamentos contratados por pessoas físicas passou de 6,3% para 12,2% ao ano, enquanto a despesa anual estimada com juros quase triplicou, de R$ 34 bilhões para R$ 99 bilhões.

Os dados fazem parte de um estudo do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, que analisou o endividamento rural entre 2013 e 2026. Segundo o levantamento, a inadimplência do crédito rural de pessoas físicas subiu de 0,8% em dezembro de 2022 para 9,7% em agosto de 2026, maior percentual da série histórica do Banco Central.

Em relação à renda da agropecuária, os gastos com juros passaram de 3,9% em 2021 para 11,4% em 2025. O estudo atribui parte dessa pressão à maior participação de financiamentos com taxas livres, mais expostos às variações dos juros de mercado. Essas operações concentram 77% do saldo em atraso, com inadimplência de 17,6%, contra 3,8% nas linhas com juros controlados.

A situação é especialmente difícil para produtores de grãos, que enfrentam redução das margens de rentabilidade. Segundo o Cepea, os preços reais dos grãos estão 28% abaixo dos níveis de 2021, enquanto a relação de troca entre grãos e fertilizantes atingiu o pior patamar da série analisada.

Em agosto de 2026, a carteira problemática do crédito rural, que inclui operações renegociadas ou prorrogadas, alcançou R$ 205 bilhões, equivalente a 23,8% do saldo total de financiamentos. O estudo ressalta que as dificuldades variam entre as regiões e atividades produtivas.

As medidas de renegociação de dívidas também tiveram alcance limitado. Até 5 de outubro, a Medida Provisória 1.376/2026 havia viabilizado a renegociação de R$ 5,98 bilhões, cerca de 5% do montante estimado pelo levantamento.

Diante do cenário, os pesquisadores defendem que as soluções considerem a situação financeira de cada propriedade, diferenciando dificuldades temporárias de pagamento de casos em que a capacidade de quitar as dívidas está comprometida de forma estrutural.

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