Café

Acre prepara diagnóstico do café para orientar indústria e exportação

Estudo deve ser concluído até dezembro e vai mapear a produção estadual; crescimento superior a 350% reforça a necessidade de planejar novos investimentos na cadeia cafeeira

Por Luiz Eduardo Souza ·

O crescimento da cafeicultura no Acre aumentou a necessidade de planejar os próximos investimentos na cadeia produtiva, incluindo a estrutura de beneficiamento, a industrialização e a abertura de mercados. Para orientar esse processo, a Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri) está executando um diagnóstico da produção de café em todo o estado, com previsão de conclusão até dezembro de 2026.

A informação foi divulgada pela secretária de Agricultura, Temillys Silva, durante sua participação como convidada da semana do Agro24Cast. Segundo ela, o levantamento pretende identificar o tamanho da produção acreana, as regiões com maior potencial e os pontos que precisam de investimentos para sustentar a expansão da atividade.

“Esse é um daqueles problemas bons, né? O café cresceu mais de 350%. Esse crescimento é importante, o produtor acredita, plantou e está colhendo, mas nós precisamos entender até onde podemos chegar e onde precisamos investir mais”, afirmou.

De acordo com Temillys, o estudo está em execução e deve oferecer informações mais precisas para orientar as decisões do poder público e das instituições que atuam no desenvolvimento da cafeicultura. Até agora, segundo a secretária, a falta de um levantamento abrangente dificultava o planejamento de longo prazo.

“Até agora, atiramos no escuro. Precisamos saber a dimensão que podemos alcançar e onde precisamos investir mais. Já está em fase de execução o diagnóstico da produção de café do estado do Acre, que a Seagri está fazendo. O instituto responsável pela entrega tem até dezembro para concluir”, declarou.

Estudo abrange todo o estado

A secretária explicou que a elaboração do diagnóstico conta com articulação envolvendo a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), que também tem interesse em iniciativas de valorização do café acreano, incluindo a possibilidade de desenvolver uma Indicação Geográfica (IG) para o produto.

Segundo Temillys, a proposta inicial discutida com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) nacional previa um diagnóstico concentrado na região do Juruá. A Seagri, porém, decidiu ampliar o alcance do trabalho para contemplar todas as regiões produtoras do Acre.

“A ABDI quer fazer a Indicação Geográfica do café. Para isso, o Sebrae nacional quis fazer o diagnóstico da região do Juruá, mas decidimos fazer do estado todo. Já está em execução e, até dezembro, vamos publicar”, disse.

A Indicação Geográfica é um instrumento de reconhecimento que pode valorizar produtos associados a uma determinada origem e às características desenvolvidas naquela região. Para a cafeicultura acreana, a iniciativa poderá contribuir para fortalecer a identidade do produto e sua diferenciação no mercado, desde que sejam atendidos os requisitos técnicos necessários.

Dados para orientar a industrialização

O levantamento ocorre em um momento de expansão da cafeicultura e poderá ajudar a identificar as necessidades da cadeia produtiva para avançar além do cultivo. Conhecer o volume produzido, a distribuição territorial das lavouras e o potencial de crescimento é importante para avaliar a demanda por estruturas de secagem, beneficiamento, armazenamento e processamento industrial.

Essas informações também podem contribuir para o planejamento de estratégias comerciais e para a avaliação de oportunidades em mercados de outros estados e do exterior. A secretária, no entanto, não apresentou metas específicas de exportação nem anunciou novos empreendimentos industriais durante a entrevista.

Temillys ressaltou que o crescimento da atividade é resultado, прежде de tudo, da iniciativa dos agricultores que decidiram investir na cultura e acreditaram no potencial econômico do café no Acre.

“O Acre tem se desenvolvido, e isso é real. Não é a Seagri que quer atingir marcas pessoais. Isso é do produtor, que acreditou primeiro”, afirmou.

Diagnóstico pode alcançar outras cadeias produtivas

A secretária defendeu que a metodologia utilizada no levantamento do café seja aplicada também a outras atividades importantes para a economia rural acreana, como a produção de mel, cacau e mandioca.

Segundo ela, a ausência de informações detalhadas sobre a produção e a distribuição das atividades dificulta a definição de prioridades e a elaboração de políticas públicas. Temillys citou ainda as dificuldades enfrentadas pelo poder público para reunir dados sobre áreas atingidas por enchentes.

“Esse diagnóstico do café é uma realidade que precisamos levar para o mel, para o cacau, para a mandioca. São culturas para as quais precisamos fazer esse diagnóstico. Todo trabalho é no escuro. Fomos atrás de ajuda com as enchentes, mas não temos levantamento de onde elas aconteciam. Eram levantamentos muito arcaicos”, declarou.

A expectativa é que o diagnóstico da cafeicultura forneça uma base técnica para orientar os investimentos na atividade e ajude a identificar as condições necessárias para manter o crescimento da produção. Com informações mais precisas, o estado poderá avaliar gargalos e oportunidades para fortalecer a cadeia do café, desde as lavouras até o beneficiamento e a comercialização.

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