O governo do Acre ampliou a frota de máquinas agrícolas utilizada no atendimento aos produtores rurais e adotou um sistema de subsídio para facilitar o acesso aos serviços de mecanização. Segundo a secretária de Estado de Agricultura, Temillys Silva, a estrutura passou de quatro máquinas sob posse da secretaria, em 2023, para 76 equipamentos próprios, entre escavadeiras hidráulicas, tratores de pneu e pás-carregadeiras, além de máquinas alugadas para reforçar a assistência no campo.
A política busca atender principalmente agricultores familiares e pequenos produtores que não dispõem de recursos para custear serviços como limpeza e preparação de áreas, gradagem do solo e construção de estruturas para armazenamento de água. Durante sua participação como convidada da semana do Agro24Cast, Temillys afirmou que a atuação direta do Estado é necessária para atender às particularidades da produção rural acreana.
“O Acre é diferente do restante do país. Quando temos encontros com outros secretários, eles perguntam: ‘Secretária de Agricultura, tem máquinas agrícolas? Tem equipamentos agrícolas para disponibilizar para o produtor?’ Sim, eles acham estranho, porque o trabalho que fazem em outros estados é de fomento à produção. Aqui é diferente, temos essa relação cultural de ajudar o produtor”, declarou.
Segundo a secretária, a realidade do estado exige que o poder público ofereça suporte em diferentes etapas da atividade agrícola, desde a preparação do terreno até o fornecimento de insumos. Ela destacou que muitos agricultores familiares enfrentam dificuldades para manter a produção sem apoio externo.
“O produtor acreano precisa da mão do Estado. Estamos falando de um estado pequeno, e muitos deles são agricultores familiares, pequenos produtores, que muitas vezes nem conseguiriam sobreviver da própria terra. Ele precisa da mão do Estado, do incentivo fiscal, da distribuição de mudas, de receber calcário e adubo”, afirmou.
Frota passou por ampliação
Temillys explicou que, quando assumiu a secretaria, em 2023, havia uma escavadeira hidráulica e três tratores de pneu sob posse da pasta. Desde então, o governo iniciou um trabalho de reorganização e ampliação da estrutura de mecanização, com o objetivo de fortalecer os núcleos agrícolas e garantir equipamentos disponíveis para atender os produtores nos municípios.
“Em 2023, quando chegamos à secretaria, nós tínhamos uma escavadeira hidráulica e três tratores de pneu. Na posse da secretaria, mas máquinas que estavam cedidas para associações estamos recolhendo até hoje. Nós iniciamos um trabalho de mecanização, levar esse equipamento para fortalecer os escritórios, porque não faz sentido você ter uma representação no município, como Feijó, e não ter um maquinário no núcleo”, explicou.
Atualmente, de acordo com a secretária, a frota própria reúne 14 escavadeiras hidráulicas, 44 tratores de pneu e 18 pás-carregadeiras. O total chega a 76 máquinas, sem contar os equipamentos alugados para ampliar a capacidade de atendimento.
A estratégia é distribuir os equipamentos de forma a fortalecer as estruturas locais da secretaria. Com máquinas disponíveis nos núcleos agrícolas, o governo pretende facilitar o acesso dos produtores aos serviços necessários para preparar suas áreas e desenvolver as lavouras.
Produtor paga parte do serviço
Outro instrumento adotado pela secretaria é o subsídio da hora-máquina. Nesse modelo, o agricultor paga uma parte do custo do serviço, enquanto o Estado assume o restante, reduzindo o valor que o produtor precisaria desembolsar para contratar os trabalhos por conta própria.
“O que nós fizemos? Chamamos o produtor. O preço da hora-máquina é subsidiado, então o produtor paga uma parte e o Estado paga a outra, e nós começamos a mecanizar”, disse Temillys.
A mecanização inclui atividades como destoca, limpeza de áreas e gradagem, etapas que ajudam a preparar o terreno para o plantio. A secretaria também direcionou os serviços à construção de estruturas para armazenamento de água, uma medida voltada a reduzir os prejuízos provocados pela falta de recursos hídricos nas propriedades.
“Mas precisa, antes de tudo isso, da mecanização agrícola. É uma destoca, é uma limpeza de área, gradear, construir tanques para abastecimento de água. Com tudo isso, nós precisávamos disponibilizar esses serviços para o nosso produtor nos nossos 24 núcleos da agricultura”, afirmou.
Armazenamento de água para evitar perdas
A construção de reservatórios integra a estratégia de atendimento porque, segundo a secretária, produtores já enfrentavam perdas nas lavouras devido à falta de água. A iniciativa busca melhorar as condições de produção e ampliar a capacidade dos agricultores de enfrentar períodos de menor disponibilidade hídrica.
“Começamos uma política de construção de armazenamento de água, porque tinha produtor perdendo lavoura por falta de água”, declarou.
A política de mecanização reúne, assim, a ampliação da frota, a disponibilização de equipamentos nos núcleos agrícolas e o subsídio dos serviços. Para a secretaria, essas medidas são parte do apoio necessário para que agricultores familiares e pequenos produtores consigam preparar suas áreas, reduzir custos e manter suas atividades no campo.