A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apresentou, nesta quinta-feira (15), as propostas do setor agropecuário brasileiro para a 31ª Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas (COP 31), marcada para 9 a 20 de novembro, em Antalya, na Turquia. Entre as prioridades estão ampliar o acesso ao financiamento climático, fortalecer a adaptação da produção rural aos eventos extremos e reconhecer economicamente a conservação ambiental nas propriedades, temas que também interessam ao agronegócio do Acre.
O documento foi elaborado a partir de consultas a produtores rurais, federações estaduais, sindicatos e entidades do setor. A CNA defende que a conferência avance da definição de metas para a implementação de medidas práticas, com recursos, tecnologia e capacitação para viabilizar mudanças nos sistemas produtivos.
Para o Acre, onde a produção agropecuária convive com a necessidade de conciliar atividade econômica e conservação florestal, as propostas envolvem questões como recuperação de áreas degradadas, melhoria da produtividade e acesso a linhas de crédito para investimentos sustentáveis. O documento, no entanto, apresenta reivindicações nacionais do setor e não estabelece medidas ou recursos específicos para o estado.
Um dos principais pontos é a ampliação do financiamento climático destinado à produção rural. A CNA defende mecanismos que facilitem o acesso ao crédito, reduzam custos, ampliem a oferta de seguros e permitam financiar projetos de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Entre as iniciativas citadas estão a recuperação de pastagens, a adoção de tecnologias e práticas de manejo que aumentem a produtividade e reduzam a vulnerabilidade das propriedades.
A entidade também propõe reconhecer economicamente a vegetação nativa mantida nas propriedades rurais. A intenção é ampliar os mecanismos de financiamento para quem conserva recursos naturais e concilia preservação ambiental com produção agropecuária, além de defender o reconhecimento da efetividade do Código Florestal brasileiro.
Outro eixo trata da preparação do campo para eventos climáticos extremos, como secas, ondas de calor e excesso de chuvas. A CNA sustenta que as políticas de adaptação precisam ser acompanhadas de recursos, pesquisa, assistência técnica e transferência de tecnologia. Sistemas integrados de produção e práticas de conservação do solo são exemplos de medidas que podem ajudar a reduzir perdas e aumentar a resiliência das atividades rurais.
O posicionamento também aborda o comércio internacional. A entidade defende que regras ambientais não sejam usadas como barreiras injustificadas às exportações brasileiras e que as avaliações sobre as emissões da agropecuária considerem as particularidades dos sistemas produtivos tropicais. Segundo a CNA, exigências de rastreabilidade, certificação e adequação ambiental podem elevar os custos dos produtores e dificultar o acesso a mercados quando não levam em conta as diferentes realidades de produção.
Ao todo, o documento reúne oito eixos: agenda de ação e valorização da conservação; agricultura e segurança alimentar; avaliação das emissões; financiamento climático; adaptação; transição justa; comércio internacional e clima; e mitigação. A entidade também defende o reconhecimento de práticas como plantio direto e fixação biológica de nitrogênio, que podem contribuir para reduzir emissões e melhorar o desempenho produtivo.
A expectativa da CNA é que a COP 31 transforme os compromissos climáticos em instrumentos efetivos para o setor rural, com crédito acessível, seguros, pesquisa, capacitação e cooperação internacional. Para produtores acreanos, as discussões podem influenciar as condições de financiamento e as exigências ambientais que afetam a produção e a comercialização, embora os resultados concretos dependam das decisões internacionais e de sua implementação no Brasil.
