Grãos

Corredor Norte consolida liderança e impulsiona recorde nas exportações

Portos da Região Norte respondem por quase metade do escoamento de milho e impulsionam salto no envio de soja até julho, superando gargalos logísticos do Centro-Oeste

Por Redação ·

O avanço logístico e a posição estratégica da Região Norte tornaram-se os grandes protagonistas do escoamento da safra brasileira nos primeiros sete meses do ano. Dados do mais recente boletim da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revelam que os Portos do Arco Norte já são responsáveis por quase metade (45,8%) de todo o milho exportado pelo Brasil entre janeiro e julho de 2026, além de concentrarem 38,8% das vendas externas de soja. O desempenho acelerado dos terminais nortistas tem sido fundamental para dar vazão à safra recorde e aliviar a pressão sobre os corredores logísticos tradicionais do Sul e Sudeste.

Na movimentação do milho, a consolidação do Norte como rota preferencial fica evidente nos números: o escoamento pelo Arco Norte saltou de 3,15 milhões de toneladas (35,4% do total nacional) em 2025 para 4,53 milhões de toneladas no mesmo período de 2026. Os terminais paraenses lideram essa expansão, com destaque para o Porto de Barcarena (PA), que mais que dobrou seu volume exportado — passando de 727 mil para 1,77 milhão de toneladas —, e Santarém (PA), que alcançou 1,50 milhão de toneladas.

Esse dinamismo logístico no Norte contrasta com os gargalos enfrentados no interior do país. Enquanto a colheita da segunda safra atinge 78,2% da área semeada nacionalmente, o volume massivo colhido em Mato Grosso gerou um acúmulo expressivo de grãos armazenados a céu aberto. Ao mesmo tempo, o escoamento rápido pelo Norte tem compensado a perda de participação em rotas do Sul, como o Porto de Paranaguá (PR), cuja fatia nas exportações de milho caiu de 13,2% para 8,7%.

Na soja, a Região Norte também mantém papel de destaque. Dos 82,9 milhões de toneladas de soja em grão exportadas pelo Brasil até julho — avanço relevante frente aos 77,2 milhões do ano anterior —, os portos nortistas embarcaram 32,3 milhões de toneladas. Barcarena (PA) figurou novamente como o principal motor do crescimento regional, saltando de 8,26 milhões para 11,05 milhões de toneladas e consolidando-se como uma das principais saídas do agronegócio nacional rumo aos mercados globais.

Panorama Logístico por Estado

  • Mato Grosso: Colheita na reta final com produtividade estável em relação à safra anterior, enfrentando gargalos logísticos e armazenagem a céu aberto.
  • Paraná: Colheita supera 50% da área; excesso de umidade e chuvas elevam o acamamento das lavouras.
  • Goiás e São Paulo: Ritmo acelerado favorecido pelo clima seco e baixa umidade dos grãos.
  • Minas Gerais: Clima seco favorece o avanço, embora lavouras tardias apresentem queda gradual de rendimento.
  • Maranhão, Tocantins e Piauí: Trabalhos praticamente finalizados, confirmando produtividades abaixo das estimativas iniciais nas lavouras tardias.
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