Comércio da Carne

Decisão de Trump de importar mais carne pode impactar o Acre

Medida do governo norte-americano de autorizar entrada adicional de 300 mil toneladas de carne bovina para manter estável o preço da carne nos Estados Unidos aumenta pressão para que frigoríficos do Acre, Maranhão e Pará sejam habilitados

Por Itaan Arruda ·
Acre ainda não tem plantas industriais habilitadas para exportar para os Estados Unidos. Mas Sindcarnes e Abrafrigo entendem que a pressão criada pela demanda de 300 mil toneladas cota adicional dos EUA pode acelerar processos de avaliação dos frigoríficos do Acre, Maranhão e Pará. (Foto: Sérgio Vale)

A ampliação temporária da cota norte-americana para a importação de 300 mil toneladas de carne bovina pelos Estados Unidos pode ter impacto no Acre. Em nota, a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) comemorou a decisão do governo Trump e cobrou que os estados do Acre, Pará e Maranhão tenham plantas industriais avaliadas para poder exportar para o mercado norte-americano.

O presidente do Sindicato das Indústrias de Frigoríficos e Matadouros do Estado do Acre (Sindicarnes), Murilo Leite, associado à Abrafrigo, acompanha com muito interesse o movimento das decisões de Trump. “Como o comércio de carne com a China está praticamente parado em função das medidas de salvaguarda, essa decisão do presidente Trump movimenta o mercado brasileiro”, avaliou Leite. “O Acre ainda não tem nenhum frigorífico habilitado para exportar para os Estados Unidos, mas esse cenário aberto com a nova cota americana aumenta a pressão para que as habilitações ocorram”.

Os Estados Unidos são considerados um país estratégico para o comércio da carne porque paga bem. O valor agregado é alto, comparado a outros países. Com um diferencial: internamente, o rebanho norte-americano está passando por um processo de reformação. Há uma oferta restrita de gado nos Estados Unidos. Foi exatamente por isso que o presidente Trump decidiu ampliar a cota de importação. Ou ele fazia isso ou o preço da carne poderia disparar e isso teria um impacto negativo na imagem do governo.

Se o cálculo do presidente atendeu à demanda do consumidor, o desgaste foi imediato nos produtores de carne norte-americano.

Reportagem da revista Exame, divulga declaração do presidente da Associação de Pecuaristas dos Estados Unidos, Justin Tupper. “Não se coloca a América em primeiro lugar colocando os produtores de gado dos EUA em último. Essa medida enfraquecerá nossos mercados”, afirmou o presidente, segundo a revista Exame.

O presidente do Sindcarnes/AC, Murilo Leite, foi cuidadoso em não relacionar diretamente o impacto dessa decisão na valorização da arroba. “Por enquanto, não é possível precificar. Mas os Estados Unidos é o mercado que paga alto valor agregado e pode acelerar alguns processos internamente aqui no Brasil. E acaba podendo ter reflexo aqui no Acre”.

A medida tem vigência de 90 dias, a partir de 1º de setembro. Será distribuída em três parcelas mensais de 100 mil toneladas, com tarifa reduzida.

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