No Balcão

“Com dinheiro na mão, não consigo comprar carne”, diz empresário

Cenário de desabastecimento já chega ao balcão. Maior rede varejista de carne bovina da Capital já compra carne com ágio de 14% ainda sem repasse para o balcão

Por Itaan Arruda · · Atualizado em
Nem pagando adiantado, empresário consegue o volume de carne que precisa junto aos frigoríficos. (Foto: Arquivo)

O empresário Gleison Pacheco pertence à maior rede varejista de carne bovina da Capital. São 14 lojas da Rota do Boi. Ele gerencia diretamente as quatro maiores unidades. É a pessoa que articula diretamente a compra da carne com os frigoríficos. “Com dinheiro na mão, pagando adiantado, não consigo comprar carne”, relata Pacheco.

Caso as indústrias frigoríficas continuem tendo dificuldades para manter o volume de abate, o cenário que se vislumbra é de desabastecimento. “Da semana passada para cá, o preço subiu 14% e eu ainda não repassei para o balcão. Estou segurando”, afirma o empresário. Ele conta que a rede varejista necessita entre 15 e 20 carretas por semana.

Mas ele tem tido dificuldades de encontrar carne. “Na segunda-feira, eu paguei sessenta mil reais adiantado para um frigorífico para ele ficar me mandando carne. É o jeito que encontro atualmente para manter as lojas abastecidas”, disse. “Fico comprando um pouco de um frigorífico aqui, um pouco ali e assim vou fazendo. Não tá fácil”.

O empresário disse que ainda não se articulou junto às federações e associações para discutir o problema. Só nessa rede varejista são 200 empregos diretos.

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