A evolução das exigências sanitárias e socioambientais do mercado comprador colocou a gestão de dados no centro da sustentabilidade da pecuária. O Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB) prevê mudanças no sistema de rastreabilidade do rebanho brasileiro.
A nova regulamentação prevê a transição do modelo de identificação por lote para o controle individual dos animais. Cada bovino ou búfalo receberá um código exclusivo, por meio de identificação visual e dispositivos de radiofrequência (RFID), que deverá ser registrado na base de dados centralizada do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) antes do primeiro transporte ou comercialização.
A medida será implantada de forma gradual e deverá alcançar um rebanho estimado em mais de 238 milhões de cabeças. A mudança amplia a capacidade de resposta da defesa agropecuária, permitindo rastrear a trajetória dos animais, identificar contatos e localizar as propriedades envolvidas em eventuais ocorrências de doenças.
Além da questão sanitária, a rastreabilidade individual terá reflexos ambientais e comerciais. O sistema permitirá relacionar o código do animal ao Cadastro Ambiental Rural (CAR) das propriedades pelas quais ele passou, facilitando o atendimento às exigências de sustentabilidade de frigoríficos e de mercados compradores, como a União Europeia e a China.
Para os pecuaristas, um dos principais desafios será o custo de adaptação. A implantação exige investimentos em identificadores, leitores, softwares e treinamento das equipes. O suporte técnico de instituições como o Senar e o acesso a linhas de financiamento serão importantes principalmente para pequenos e médios produtores.
Quando incorporada à rotina da fazenda, a rastreabilidade pode deixar de ser apenas uma exigência burocrática e se transformar em ferramenta de gestão. Os dados individuais dos animais podem contribuir para o acompanhamento do ganho de peso, controle reprodutivo e avaliação da margem financeira da propriedade.