O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) confirmou, neste domingo (23), a realização de uma nova fase da Operação Xapiri 2026 na região de Boca do Acre, no sul do Amazonas. A ação ocorreu no último sábado, 22 de agosto, e teve como alvo áreas da Reserva Extrativista (Resex) Arapixi e da Reserva Legal Coletiva do Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE) Antimary.
A operação ocorre após imagens de barracos em chamas e veículos destruídos circularem nas redes sociais. Os registros provocaram reação de moradores e representantes de produtores rurais da região, que denunciaram a destruição de patrimônios durante a ação de fiscalização.
Entenda: Vídeos mostram barracos e motos em chamas após operação ambiental na fronteira do Acre com Amazonas
Em release divulgado após a repercussão do caso, o Ibama informou que a operação foi executada pelo Grupo de Combate ao Desmatamento da Amazônia (GCDA) e teve como objetivo combater processos de invasão e degradação ambiental em áreas legalmente protegidas.
Segundo o órgão, a fiscalização foi deflagrada após sistemas de monitoramento ambiental identificarem indícios de ocupação irregular nos territórios protegidos.
Durante as vistorias em campo, conforme o Ibama, as equipes identificaram e inutilizaram motocicletas, quadriciclos, motores e outros equipamentos que estariam sendo utilizados para apoiar a permanência e o deslocamento de ocupantes dentro das áreas fiscalizadas.
Os agentes também teriam encontrado indícios de infrações ambientais relacionadas à ocupação irregular e identificado casos de descumprimento de embargos ambientais federais, incluindo atividades realizadas em áreas que já haviam sido interditadas anteriormente pelo poder público em razão de ilícitos ambientais.
“O Projeto de Assentamento Agroextrativista Antimary possui uma grande área de Reserva Legal Coletiva, destinada à conservação florestal e à utilização sustentável dos recursos naturais pelos beneficiários do assentamento”, informou o Ibama.
De acordo com o órgão ambiental, a Reserva Legal Coletiva do PAE Antimary vem sofrendo um processo de invasão desde 2019. Nos últimos anos, segundo o instituto, a ocupação irregular teria avançado sobre a área de reserva e alcançado também a Reserva Extrativista Arapixi.
A situação, segundo o Ibama, motivou a atuação do Ministério Público Federal (MPF), que obteve uma decisão judicial determinando o bloqueio da área como forma de impedir novas ocupações e conter a continuidade dos danos ambientais.
O instituto afirma que a região é considerada prioritária para as ações de controle ambiental e que continuará monitorando alertas de desmatamento e movimentações relacionadas à ocupação irregular da Reserva Legal Coletiva e da Resex Arapixi.
A Operação Xapiri 2026 faz parte do conjunto de ações federais voltadas ao combate ao desmatamento e à proteção de áreas protegidas na Amazônia.
A manifestação do Ibama surge após a presidente da Associação Sem Fronteiras, Lucilene da Cruz, afirmar que moradores e produtores rurais buscavam esclarecimentos sobre a operação. Em entrevista anterior, ela disse que a entidade não é contrária à fiscalização ambiental, mas questionou a destruição de bens que, segundo ela, pertenceriam a moradores da região.
A associação também discutia a possibilidade de realizar uma manifestação nesta segunda-feira (24), no Ramal dos Paulistas, nas proximidades da ponte sobre o Rio Antimary, na Vila Boa Fé, diante de informações sobre uma possível nova ação de fiscalização por via terrestre.