Um estudo realizado pela Embrapa Acre e pela Universidade Federal do Acre (Ufac) registrou, pela primeira vez, a ocorrência do tripes-da-soja (Caliothrips phaseoli) associado ao cultivo de soja no Acre. A identificação ocorreu durante a safra 2024/2025, em uma área agrícola de Rio Branco localizada próxima a um remanescente de floresta amazônica. A descoberta amplia o conhecimento sobre a presença da espécie no estado e reforça a necessidade de monitoramento fitossanitário com o avanço da produção de soja na região.
Os tripes são insetos pequenos que podem causar danos às plantas ao raspar a superfície das folhas e sugar o conteúdo das células. Em lavouras de soja, a infestação pode provocar manchas prateadas, necroses e redução da área fotossintética. Estudos realizados na América do Sul apontam que infestações severas de Caliothrips phaseoli podem reduzir a fotossíntese e provocar perdas de produtividade de até 17%, dependendo da intensidade do ataque e das condições de cultivo.
A espécie já havia sido identificada em outras regiões produtoras de soja do Brasil, além de estados como Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Considerado polífago, o inseto também já foi encontrado no Acre associado a outras plantas, como amendoim-forrageiro, hortelã e girassol. O registro em uma lavoura de soja indica a adaptação da espécie ao cenário agrícola acreano e chama atenção para a necessidade de acompanhamento das populações de insetos-praga e de seus inimigos naturais.
Além dos danos diretos, algumas espécies de tripes também podem atuar como vetores de vírus de plantas. O estudo destaca, por exemplo, a importância de Frankliniella schultzei, espécie associada à transmissão de orthotospovírus em outras regiões produtoras, embora ela não tenha sido detectada no levantamento realizado no Acre. Com a expansão da soja no estado, pesquisadores apontam que o monitoramento contínuo será importante para identificar novas pragas e possíveis vetores de doenças, contribuindo para a proteção e o desenvolvimento sustentável da cadeia produtiva na Amazônia.