Agroclima

Super El Niño pode pressionar produção e preços dos alimentos

Estudo aponta que efeitos do fenômeno climático devem ganhar força em 2027, com impacto sobre a agricultura e a inflação

Por Redação ·
Produtos básicos como arroz, feijão e carnes em um mercado, representando a inflação dos alimentos no Brasil.
O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de alimentos, e especialistas apontam que a redução de impostos pode ter efeito limitado nos preços ao consumidor. Foto: © Marcelo Camargo/Agência Brasil

O avanço de um possível Super El Niño pode aumentar as chuvas e a ocorrência de enchentes nos próximos meses, com reflexos sobre a produção agrícola brasileira e os preços dos alimentos. Os impactos devem ser mais limitados em 2026, mas podem ganhar força em 2027, segundo estudo da MB Associados.

De acordo com a análise, a inflação dos alimentos consumidos dentro de casa poderá encerrar 2027 entre 7,5% e 9,5%. No período de maior pressão, entre agosto e novembro do próximo ano, a alta dos alimentos pode chegar a 11%.

O cenário também pode afetar a inflação oficial do país. Pelos cálculos da consultoria, os efeitos provocados pelas condições climáticas sobre a produção agrícola e, consequentemente, sobre os preços dos produtos podem acrescentar até 0,9 ponto percentual ao IPCA em 2027.

Arroz e feijão entre os mais pressionados

Entre os alimentos que podem sofrer maior pressão estão o arroz e o feijão, produtos presentes na alimentação diária dos brasileiros. O feijão chega a esse cenário após registrar queda na produção em 2026, enquanto o arroz ainda enfrenta reflexos das enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul, principal estado produtor do cereal no país.

Com uma possível intensificação das chuvas e das enchentes associadas ao fenômeno climático, a expectativa é de que arroz e feijão estejam entre os produtos com maior pressão de preços.

O estudo aponta, portanto, que o principal efeito sobre os consumidores deve aparecer com mais intensidade em 2027, quando possíveis perdas de produção e dificuldades provocadas pelo excesso de chuvas poderão reduzir a oferta e elevar os preços. Em 2026, a expectativa é de impactos mais contidos.

O possível impacto sobre os alimentos reforça a relação entre eventos climáticos extremos, oferta agrícola e inflação. Para o setor produtivo, períodos prolongados de chuvas intensas e enchentes podem afetar lavouras, logística e abastecimento, aumentando os custos ao longo da cadeia e pressionando os preços pagos pelo consumidor.

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