CNA debate dumping do leite importado e alerta produtores sobre clima

Comissão discutiu investigação contra leite em pó do Mercosul, atualização sanitária e cenário do mercado leiteiro brasileiro

Redação
Por

A Comissão Nacional de Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) se reuniu nesta semana para discutir temas considerados estratégicos para a cadeia leiteira brasileira, entre eles a investigação de dumping envolvendo importações de leite em pó da Argentina e do Uruguai, a atualização do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose (PNCEBT) e o cenário do mercado de leite em 2026.

Durante o encontro, representantes da CNA destacaram avanços na investigação conduzida pelo Departamento de Defesa Comercial (Decom), ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Segundo a entidade, o governo brasileiro reconheceu a similaridade entre o leite em pó importado e o leite in natura produzido no país, considerado um passo importante no processo.

De acordo com o assessor técnico da CNA, Guilherme Dias, o próximo desafio será comprovar definitivamente o impacto das importações no mercado nacional. A investigação apontou margens de dumping que chegam a 61,4% para empresas argentinas e 49,4% para empresas uruguaias analisadas.

O coordenador de Produção Animal da CNA, João Paulo Franco, afirmou que a entidade busca garantir condições mais equilibradas de concorrência para os produtores brasileiros. Segundo ele, a entrada de leite importado com preços considerados artificiais prejudica o mercado interno.

Na área sanitária, a comissão também debateu propostas de modernização do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose. As medidas incluem melhorias na gestão de cadastros de rebanhos e das Guias de Trânsito Animal (GTA), com objetivo de fortalecer os indicadores sanitários sem aumentar custos aos produtores.

O cenário climático também entrou em pauta. Segundo análise apresentada pela MilkPoint, existe probabilidade de 90% de ocorrência do fenôeno El Niño a partir de setembro de 2026. A previsão indica excesso de chuvas na Região Sul e redução das precipitações no Norte e Nordeste, cenário que pode afetar diretamente a produção agropecuária e exige planejamento por parte dos produtores rurais.

A CNA informou ainda que a produção de leite no país segue em crescimento em 2026, embora em ritmo mais moderado devido à redução das margens da atividade.

Compartilhar esta notícia
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *