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Juros altos seguem pressionando o crédito rural, aponta Focus

Mercado reduz pela quarta semana seguida a projeção do IPCA para 2026, mantém Selic em 14% e prevê dólar estável, cenário que traz mais previsibilidade ao agronegócio, mas ainda impõe custos elevados aos produtores

Por Redação ·
Economia brasileira ganha fôlego: projeções do Banco Central mostram cenário mais positivo para inflação e crescimento do país. Foto: Reprodução.

A nova edição do Boletim Focus, divulgada nesta segunda-feira (27), pelo Banco Central, trouxe uma combinação de sinais positivos e desafios para o agronegócio brasileiro. Enquanto o mercado financeiro reduziu pela quarta semana consecutiva a expectativa para a inflação em 2026, a projeção para a taxa básica de juros permaneceu em 14% ao ano e o dólar continuou praticamente estável em R$ 5,20. O cenário favorece maior previsibilidade para a comercialização da produção e para a compra de insumos importados, mas mantém elevado o custo do crédito para produtores rurais e cooperativas.

Segundo o relatório, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu de 5,15% para 5,12% em 2026. Apesar da nova redução, a inflação ainda permanece acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, o que reforça a expectativa de que o Banco Central mantenha uma política monetária restritiva pelos próximos meses.

A projeção para a taxa Selic foi mantida em 14% ao ano para 2026. Para 2027, o mercado segue prevendo juros de 12%, com novas reduções para 10,5% em 2028 e 10% em 2029.

Para o setor agropecuário, a manutenção dos juros em patamar elevado continua sendo um dos principais desafios. O financiamento da produção, a aquisição de máquinas, equipamentos e tecnologias, além dos investimentos em expansão das propriedades, permanecem mais caros, reduzindo a capacidade de investimento dos produtores, especialmente dos médios e pequenos.

Por outro lado, a estabilidade das expectativas para o câmbio oferece maior segurança para o planejamento das exportações e da compra de insumos. O mercado manteve a projeção do dólar em R$ 5,20 ao fim de 2026. Para 2027, a expectativa subiu ligeiramente para R$ 5,29, enquanto as projeções para 2028 e 2029 ficaram em R$ 5,30 e R$ 5,37, respectivamente.

Outro indicador que permaneceu inalterado foi a expectativa de crescimento da economia brasileira. O Produto Interno Bruto (PIB) deve avançar 1,99% em 2026, repetindo a projeção da semana anterior. Para 2027, a estimativa recuou de 1,65% para 1,60%, enquanto para 2028 e 2029 permaneceu em 2%.

O mercado também revisou para baixo a projeção do IGP-M, índice amplamente utilizado para reajustes de contratos e que influencia diversos custos da atividade econômica. A expectativa para 2026 caiu de 5,55% para 5,42%.

Na avaliação dos analistas, a combinação de inflação em desaceleração, dólar estável e manutenção dos juros elevados indica que a economia brasileira continua em um processo gradual de ajuste. Para o agronegócio, o cenário tende a oferecer maior previsibilidade para o planejamento da próxima safra e das exportações, embora o custo do crédito siga como um dos principais fatores de preocupação para produtores que dependem de financiamento para custeio e investimento.

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