O cafeicultor de Mâncio Lima mantém entusiasmo, mesmo com o preço distante da euforia registrada há um ano quando a saca de café arranhava os R$ 2 mil. Os cafés especiais chegaram a ser comercializados a mais de R$ 5 mil em Rio Branco. O mercado encontrou estabilidade em torno de R$ 1.005,16 na saca de 60 Kg do robusta. Isso não inviabilizou a comercialização de 48 toneladas com a Cafeeira Paraná Comércio, Exportação e Importação de Café Ltda, de Maringá, na primeira venda desta semana.
Essa é uma referência importante na comercialização de produtos agrícolas no Acre, sobretudo em uma região em que há pouco mais de oito anos era conhecida por produzir exclusivamente macaxeira. O processamento alcançava, no máximo, a produção da farinha. Essa é a carga simbólica do comércio com o Paraná: o município mais ocidental do Brasil envia café para um estado que já foi um dos campeões da produção cafeeira.
E isso já está se tornando uma rotina. Semana passada, a Coopercafé enviou 1,8 mil sacas para o Espírito Santo, o estado que rivaliza com Minas Gerais o primeiro lugar na produção de café do Brasil.
“O caminho abriu, agora, para lá. Eles já vão comprar mais 800 sacas. Já será o segundo carregamento. Abriu a porta para lá agora. Com essa venda aí, entre para o Acre e Rondônia, nós já vendemos 9 mil sacas de café, de fevereiro para cá. Toda semana, nós vendemos café”, disse Jonas Lima, em declaração divulgada pela assessoria da cooperativa.
Mâncio Lima tem, atualmente, cinco milhões de pés de café, abrangendo uma área plantada de 2 mil hectares. Esse cenário foi construído com a organização e o convencimento da classe trabalhadora por meio do cooperativismo e a articulação institucional da Organização das Cooperativas do Brasil, seccional Acre (OCB/AC). O resultado é a geração de postos de trabalho em escala inédita no município.
“O que chama a atenção aqui é a geração de postos de trabalho na cultura do café. É diferente do boi. Você cria mil bois, você tem um cara lá cuidando. Com três mil pés de café, você já coloca cinco ou seis pessoas para trabalhar na época da colheita”, compara o presidente da Coopercafé.
E isso tem feito com que a cooperativa tenha cada vez mais adesões. Com 182 cooperados, a expectativa é que outros 300 formalizem a adesão nos próximos dias, segundo informou a assessoria da Coopercafé.
O cenário criado em Mâncio Lima foi uma construção coletiva que teve o apoio institucional do Governo Federal, por meio da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), enquanto a ex-diretora da agência era Perpétua Almeida. Foi a ABDI a principal investidora responsável pela construção do Complexo Industrial do Café. Associado a isto, o trabalho da Assembleia Legislativa do Acre, articulado pelo deputado estadual Edvaldo Magalhães (PCdoB).
