A primeira reunião do Conselho Agro Econômico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) serviu para uniformizar a linha de argumentação e melhorar a sintonia entre as principais lideranças do setor agropecuário do país. Essa costura não foi feita agora por capricho.
O momento de pré-campanha, com os principais nomes à presidência da República se consolidando com os arranjos políticos, a CNA se antecipa na organização interna. Mas esse primeiro encontro não tratou do tema “política eleitoral”. Os pontos da agenda guardam relação com um “olhar mais macro” para o setor agropecuário em escala global.
“Antecipar efeitos econômicos considerando os diversos cenários da geopolítica mundial permite a tomada de decisões que podem atenuar consequências negativas como também criar oportunidades para o agronegócio brasileiro”, analisou o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Acre, Assuero Veronez, presente ao encontro. “O Conselho do Agro da CNA pretende ser uma salvaguarda ouvindo grandes especialistas e discutindo com as federações sobre os cenários que hoje tanto preocupam os produtores rurais”.
Guerra na Ucrânia, Bloqueio do Estreito de Ormuz em função da Guerra entre EUA e Irã, consequências do encontro entre Xi Ji Ping e Donald Trump foram pontos detalhadamente discutidos. Com foco nos impactos das decisões geopolíticas no setor agropecuário.
De acordo com a CNA, o Conselho Agro Econômico terá encontros periódicos. Mas não ficou definido de quanto em quanto tempo isso será feito.
Brasil X Mundo
O economista e ex-presidente do Banco dos Brics, Marcos Troyjo, abordou o tema “Geopolítica e o Novo Mapa da Economia Global”, mostrando, entre outros pontos, como as questões internacionais exercem forte influência sobre as decisões econômicas e comerciais em todos os mercados globais. E atingem todos os setores.
Troyjo falou sobre os desafios e oportunidades do agro brasileiro na esfera global diante dos ativos estratégicos que o país possui para a oferta de alimentos, fontes de energia e água nas próximas décadas. Troyjo também explicou que o Brasil passou a ocupar espaços importantes em mercados consumidores de outros países, preenchendo lacunas antes ocupadas por outros concorrentes.
O economista lembrou que o país era importador de alimentos e este cenário mudou graças ao trabalho dos produtores rurais e aos investimentos em pesquisa e tecnologia. Disse, ainda, que o agro brasileiro continuará sendo um setor chave no fornecimento de alimentos nas próximas décadas em um cenário de crescimento da população mundial.

Mercado doméstico – Na sequência, Samuel de Abreu Pessôa traçou um cenário no ambiente interno, falando sobre os desafios dos próximos anos para o crescimento econômico no país, passando pelas políticas fiscal e monetária e mencionando tópicos como spread, receitas e despesas, câmbio, PIB e inflação.
O economista explicou a dinâmica de gastos públicos e como isso afeta, entre outros pontos, a política de juros e a inflação e como o cenário eleitoral de 2026 pode impactar neste tema. Pessôa também destacou a contribuição da agropecuária no resultado do Produto Interno Bruto em 2025 e o comportamento do mercado de trabalho no cenário atual, além da previsão para os próximos anos.
(Com informações da Assessoria da CNA)
