Conselho Agro Econômico da CNA analisa cenários com todos dirigentes estaduais

Reunião que contou com análise de economistas renomados foi orientada pelo presidente João Martins como uma busca por uma “sintonia”, por um padrão de defesa da agropecuária, em todo país. Para isso, é necessária a compreensão exata dos cenários e gargalos internos e das mudanças com impacto no setor em escala global

Itaan Arruda
Fotos: Assessoria CNA

A primeira reunião do Conselho Agro Econômico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) serviu para uniformizar a linha de argumentação e melhorar a sintonia entre as principais lideranças do setor agropecuário do país. Essa costura não foi feita agora por capricho.

O momento de pré-campanha, com os principais nomes à presidência da República se consolidando com os arranjos políticos, a CNA se antecipa na organização interna. Mas esse primeiro encontro não tratou do tema “política eleitoral”. Os pontos da agenda guardam relação com um “olhar mais macro” para o setor agropecuário em escala global.

“Antecipar efeitos econômicos considerando os diversos cenários da geopolítica mundial permite a tomada de decisões que podem atenuar consequências negativas como também criar oportunidades para o agronegócio brasileiro”, analisou o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Acre, Assuero Veronez, presente ao encontro. “O Conselho do Agro da CNA pretende ser uma salvaguarda ouvindo grandes especialistas e discutindo com as federações sobre os cenários que hoje tanto preocupam os produtores rurais”.

Guerra na Ucrânia, Bloqueio do Estreito de Ormuz em função da Guerra entre EUA e Irã, consequências do encontro entre Xi Ji Ping e Donald Trump foram pontos detalhadamente discutidos. Com foco nos impactos das decisões geopolíticas no setor agropecuário.

De acordo com a CNA, o Conselho Agro Econômico terá encontros periódicos. Mas não ficou definido de quanto em quanto tempo isso será feito.

Brasil X Mundo

O economista e ex-presidente do Banco dos Brics, Marcos Troyjo, abordou o tema “Geopolítica e o Novo Mapa da Economia Global”, mostrando, entre outros pontos, como as questões internacionais exercem forte influência sobre as decisões econômicas e comerciais em todos os mercados globais. E atingem todos os setores.

Troyjo falou sobre os desafios e oportunidades do agro brasileiro na esfera global diante dos ativos estratégicos que o país possui para a oferta de alimentos, fontes de energia e água nas próximas décadas. Troyjo também explicou que o Brasil passou a ocupar espaços importantes em mercados consumidores de outros países, preenchendo lacunas antes ocupadas por outros concorrentes.

O economista lembrou que o país era importador de alimentos e este cenário mudou graças ao trabalho dos produtores rurais e aos investimentos em pesquisa e tecnologia. Disse, ainda, que o agro brasileiro continuará sendo um setor chave no fornecimento de alimentos nas próximas décadas em um cenário de crescimento da população mundial.

Mercado doméstico – Na sequência, Samuel de Abreu Pessôa traçou um cenário no ambiente interno, falando sobre os desafios dos próximos anos para o crescimento econômico no país, passando pelas políticas fiscal e monetária e mencionando tópicos como spread, receitas e despesas, câmbio, PIB e inflação.

O economista explicou a dinâmica de gastos públicos e como isso afeta, entre outros pontos, a política de juros e a inflação e como o cenário eleitoral de 2026 pode impactar neste tema. Pessôa também destacou a contribuição da agropecuária no resultado do Produto Interno Bruto em 2025 e o comportamento do mercado de trabalho no cenário atual, além da previsão para os próximos anos.

(Com informações da Assessoria da CNA)

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