No programa agro24cast deste domingo (5), o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) Evandro Ferreira falou de outro problema que está assustando os produtores e a direção do Reca (Reflorestamento Econômico Consorciado e Adensado). É a monilíase. Ainda não foi registrado nenhum caso da doença na região. Mas é justamente isso que tem preocupado.
Caso aconteça, os produtores terão que obedecer aos protocolos já previstos: eliminação da planta infectada e poda drástica no entorno. Essas providências teriam um impacto estruturante para o projeto Reca, uma vez que 60% do faturamento dos cooperados vêm da cadeia produtiva do cupuaçu.
“O que o pessoal do Reca questionou foi: ‘Gente, vocês estão fazendo um trabalho muito bom? Sim, Muito bom. Tem uma planta infectada em Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima e Tarauacá? A equipe do Idaf vai ao local. Se for o caso, chama a polícia para o técnico poder ir lá e fazer o que tem que ser feito. Isso é bom’. Mas o que eles reclamam é: e se a monilíase entrar no Reca?”, pergunta o pesquisador.
Os produtores e a direção não estão se sentindo seguros em relação às orientações de caráter preventivo, uma vez que os protocolos para manutenção da sanidade vegetal trariam prejuízos imediatos a todos.
“Aparentemente, não existe uma solução técnica para erradicar [a monilíase]. A melhor solução que existe hoje é você controlar e fazer uma espécie de ‘limpeza’, de eliminação de plantas que estão contaminadas”, afirmou Ferreira no programa. “Eu queria dizer que eu fui muito bem surpreendido pelo representante do Idaf aqui do Acre. É impressionante como eles têm corrido atrás de controlar essa doença aqui no Acre. Eles têm alto nível tecnológico. Eles têm mapeado todas as plantas de cupuaçu que já foram infectadas. Então, é uma coisa muito bem feita”.
A monilíase foi uma doença surgida no Equador em 1900 e se espalhou pelos países vizinhos. No Brasil, tem focos no Amazonas e no Acre, mas estão controlados. Uma constatação dos técnicos do Idaf do Acre chama atenção: os focos de monilíase, geralmente, não estão nos cupuaçuzeiros de cultivo. Geralmente, surgem em plantas isoladas: um ou dois pés de cupuaçu no fundo de um quintal. O problema é que se atingir a plantação, o impacto é enorme.
“O que os produtores sabem é que o Idaf e o Idaron, caso aconteça de a monilíase entrar no Reca, vai lá exigir que eles eliminem as plantas infectadas. Que é o correto a ser feito. Mas isso seria um desastre”, relata o pesquisador.
