Protesto sobre Plano de uso da resex acontece a dois dias de visita de Nikolas Ferreira

Mapeamento das áreas de uso e ocupação na unidade de conservação ainda está dentro do prazo estabelecido pelo acordo entre MPF e ICMBio

Itaan Arruda

O protesto da advogada e produtora rural Raimunda Queiroz acontece a dois dias do início da agenda do deputado federal Nikolas Ferreira (PL/MG) no Acre. Ela realiza caminhada entre Epitaciolândia e Xapuri, sob a alegação de que o Governo Federal “abandonou” a Reserva Extrativista Chico Mendes.

“O objetivo dessa caminhada, a nossa luta, a minha luta é pela regularização fundiária dos moradores da Reserva Chico Mendes, que hoje vivem um grande drama”, afirmou filmando-se com um celular. “Setenta por cento do povo [da Resex Chico Mendes] está numa situação de irregularidade. Mais de 10 mil pessoas. Agora estão correndo um grande risco de serem expulsas da área onde vivem, pelo ICMBio. Então, eu estou lutando pela permanência das famílias, por melhores condições de vida e para que não sejam expulsas”, afirmou.

Formalmente, não há em curso nenhuma ação do ICMBio de “ameaças” a famílias da Reserva Extrativista Chico Mendes.

“É necessária a mudança urgente do plano de uso. Hoje, a reserva tem noventa por cento do seu território preservado, mas o plano limita as atividades e isso deixa as pessoas numa situação muito difícil, porque não conseguem se regularizar nem ter acesso a políticas públicas”, disse, omitindo sobre o acordo judicial que foi feito entre o Ministério Público Federal e o ICMBio para promover o mapeamento das colocações na resex. A partir desse mapeamento, será possível falar com exatidão sobre a situação das famílias com mais exatidão. O mapeamento é instrumento necessário para regularizar as áreas e buscar atualizar o plano de uso.

O termo do acordo foi celebrado no âmbito de uma ação civil pública movida pelo próprio MPF.

O gesto da advogada é muito semelhante ao que realizou o próprio deputado Nikolas Ferreira. A “Caminhada pela Liberdade”, realizada entre 19 e 25 de janeiro, saiu de Paracatu, no interior de Minas Gerais, e seguiu até Brasília em protesto pela liberdade do ex-presidente Jair Bolsonaro.

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