O mercado financeiro voltou a elevar a projeção da inflação para 2026, reforçando o cenário de pressão sobre os preços no país. De acordo com o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central do Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu de 4,86% para 4,89%, registrando a oitava alta consecutiva.
Com isso, a estimativa segue acima do teto da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 3% com intervalo de tolerância de até 4,5%.
Além da inflação elevada, o relatório mostra estabilidade nas expectativas de crescimento econômico. O Produto Interno Bruto (PIB) para 2026 foi mantido em 1,85%, indicando um ritmo moderado da atividade econômica.
No câmbio, a projeção permaneceu em R$ 5,25 para o fim deste ano. Já para 2027, houve leve recuo na estimativa, passando de R$ 5,35 para R$ 5,30.
Juros seguem elevados
Para conter a inflação, o mercado aposta na manutenção de juros altos. A taxa básica (Selic) deve encerrar 2026 em 13% ao ano, sem alterações em relação às últimas semanas. Para os anos seguintes, a expectativa é de queda gradual: 11% em 2027 e 10% em 2028 e 2029.
Mesmo com cortes recentes promovidos pelo Comitê de Política Monetária (Copom), a trajetória dos juros ainda é cercada de incertezas, principalmente por fatores externos como a pressão sobre combustíveis e alimentos.
Outros indicadores
O relatório também aponta piora nas projeções do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), que subiu de 4,80% para 5,50% em 2026, refletindo pressões no atacado.
Já as contas externas mostram leve melhora: a previsão para o déficit em conta corrente foi mantida em US$ 61,2 bilhões, enquanto a balança comercial segue estimada em superávit de US$ 75 bilhões.
Por outro lado, a dívida líquida do setor público deve permanecer em 69,9% do PIB neste ano, enquanto o resultado primário segue negativo em -0,5% do PIB, indicando que o governo ainda gasta mais do que arrecada.
