Inflação sobe pela 8ª semana e mercado mantém juros altos para 2026

Projeção do IPCA chega a 4,89% e segue acima do teto da meta; Selic deve encerrar o ano em 13%

Redação
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Produtos básicos como arroz, feijão e carnes em um mercado, representando a inflação dos alimentos no Brasil.
O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de alimentos, e especialistas apontam que a redução de impostos pode ter efeito limitado nos preços ao consumidor. Foto: © Marcelo Camargo/Agência Brasil

O mercado financeiro voltou a elevar a projeção da inflação para 2026, reforçando o cenário de pressão sobre os preços no país. De acordo com o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central do Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu de 4,86% para 4,89%, registrando a oitava alta consecutiva.

Com isso, a estimativa segue acima do teto da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 3% com intervalo de tolerância de até 4,5%.

Além da inflação elevada, o relatório mostra estabilidade nas expectativas de crescimento econômico. O Produto Interno Bruto (PIB) para 2026 foi mantido em 1,85%, indicando um ritmo moderado da atividade econômica.

No câmbio, a projeção permaneceu em R$ 5,25 para o fim deste ano. Já para 2027, houve leve recuo na estimativa, passando de R$ 5,35 para R$ 5,30.

Juros seguem elevados

Para conter a inflação, o mercado aposta na manutenção de juros altos. A taxa básica (Selic) deve encerrar 2026 em 13% ao ano, sem alterações em relação às últimas semanas. Para os anos seguintes, a expectativa é de queda gradual: 11% em 2027 e 10% em 2028 e 2029.

Mesmo com cortes recentes promovidos pelo Comitê de Política Monetária (Copom), a trajetória dos juros ainda é cercada de incertezas, principalmente por fatores externos como a pressão sobre combustíveis e alimentos.

Outros indicadores

O relatório também aponta piora nas projeções do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), que subiu de 4,80% para 5,50% em 2026, refletindo pressões no atacado.

Já as contas externas mostram leve melhora: a previsão para o déficit em conta corrente foi mantida em US$ 61,2 bilhões, enquanto a balança comercial segue estimada em superávit de US$ 75 bilhões.

Por outro lado, a dívida líquida do setor público deve permanecer em 69,9% do PIB neste ano, enquanto o resultado primário segue negativo em -0,5% do PIB, indicando que o governo ainda gasta mais do que arrecada.

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