O chefe da Embrapa no Acre, Bruno Pena, defendeu a ideia de que a produção de arroz no Acre deve ter como foco o fortalecimento da Agricultura Familiar e a Segurança Alimentar das famílias que moram nas comunidades rurais. Essa é uma percepção que se contrapõe ao que vem sendo executado pela Prefeitura de Rio Branco.
O ex-prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, chegou a investir mais de R$ 20 milhões na construção do Complexo da Agricultura Familiar no final de março deste ano. Pelo que foi abordado pelo chefe Geral da Embrapa no Acre, a rizicultura local deveria ter outra finalidade.
“É uma boa possibilidade nós plantarmos arroz aqui”, tateou Bruno Pena, ajeitando-se na cadeira e ajustando os óculos. “Talvez seja mais interessante que a gente plante esse arroz, focado, talvez, numa Segurança Alimentar, numa Agricultura Familiar”.
A justificativa usada por Pena tem como fundamento o atual cenário da rizicultura no país. “Por quê? Para se ter uma ideia, Goiás, que é o segundo maior produtor de arroz, não consegue competir com o preço do Rio Grande do Sul, que é o maior. Imagine nós competirmos com esses estados, em que a produtividade é altíssima”, comparou. “Pode acontecer que nós falemos ao produtor ‘Olha! No milho, você vai ganhar dois mil reais por hectare e no arroz quinhentos hectares…’”. Pena não concluiu a frase, mas é como estivesse a sugestão de uma pergunta: “Você acha que o produtor vai escolher plantar o quê?”
Então, conclui o chefe Geral da Embrapa. “É melhor plantar o milho e comprar o arroz no mercado. Há regiões no Brasil em que a plantação de arroz é tão tecnificada e tão desenvolvida que, mesmo com o frete, esse arroz consegue chegar aqui com preço mais baixo”.
