A produção industrial brasileira recuou 1,8% em junho na comparação com maio, na série com ajuste sazonal, registrando o segundo resultado negativo consecutivo de 2026. Apesar da retração no mês, o setor apresentou crescimento de 1,7% em relação a junho de 2025 e acumula expansão de 1,5% no primeiro semestre do ano, segundo dados divulgados nesta terça-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Na comparação mensal, 16 dos 25 ramos industriais pesquisados registraram queda na produção. O principal impacto negativo veio do segmento de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, que caiu 5,9%, acumulando perda de 11,8% nos últimos dois meses. Também contribuíram para o resultado negativo os setores de produtos químicos (-4,3%), alimentos (-1,9%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-11%), confecção de vestuário (-11%), equipamentos de informática, eletrônicos e ópticos (-8,9%), outros equipamentos de transporte (-8,6%), produtos de borracha e plástico (-2,8%) e indústrias extrativas (-0,6%).
Entre os segmentos que avançaram em junho, o destaque foi para celulose, papel e produtos de papel, com crescimento de 5,4%, registrando o terceiro mês consecutivo de expansão. Também apresentaram desempenho positivo os setores de impressão e reprodução de gravações (20,2%) e metalurgia (1,4%).
Nas grandes categorias econômicas, todos os grupos registraram retração frente a maio. Os maiores recuos ocorreram em bens de consumo semi e não duráveis (-4,1%) e bens de consumo duráveis (-3,2%). Os setores produtores de bens intermediários e bens de capital também apresentaram queda de 1,1% cada.
Na comparação com junho do ano passado, entretanto, a indústria brasileira mostrou desempenho positivo. O crescimento de 1,7% foi sustentado principalmente pela fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias, que avançou 16,5%, e pelas indústrias extrativas, com alta de 5,2%. Também contribuíram para o resultado os setores de metalurgia (4,4%), máquinas e materiais elétricos (7,6%), bebidas (3%), produtos minerais não metálicos (3,7%) e celulose e papel (1,8%).
Por outro lado, os principais recuos na comparação anual ocorreram nos segmentos de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-14,1%), produtos químicos (-3,8%), outros equipamentos de transporte (-11,9%), confecção de vestuário (-7,4%), manutenção de máquinas e equipamentos (-4,2%) e produtos têxteis (-4,4%).
Entre as grandes categorias econômicas, os bens de consumo duráveis cresceram 5,2% em relação a junho de 2025, impulsionados principalmente pela fabricação de automóveis, cuja produção aumentou 16,3%. Também registraram alta os eletrodomésticos da linha branca (15,9%), outros eletrodomésticos (18,2%) e móveis (2,1%). Já os bens intermediários avançaram 2,7%, marcando a sexta alta consecutiva nessa base de comparação.
No acumulado do primeiro semestre, a produção industrial brasileira cresceu 1,5%. Os maiores avanços vieram das indústrias extrativas (7,4%), do setor de coque, derivados do petróleo e biocombustíveis (4,3%), da fabricação de veículos automotores (5,3%), dos produtos farmoquímicos e farmacêuticos (9,7%) e da indústria de alimentos (1%).
Em contrapartida, máquinas e equipamentos registraram a maior queda no acumulado do ano, com retração de 7,6%, refletindo principalmente a menor produção de tratores, colheitadeiras, máquinas agrícolas, aparelhos de ar-condicionado, silos metálicos e outros equipamentos voltados ao agronegócio e à indústria.
Nos últimos 12 meses, a produção industrial acumula crescimento de 0,7%, enquanto a média móvel trimestral apresentou retração de 0,5%, indicando perda de ritmo da atividade industrial ao longo do segundo trimestre de 2026.
