“Eu acompanhava a retirada do mel, via os produtos e fui criando um vínculo muito forte com essa atividade.” Foi assim que Bruno Flangini, engenheiro florestal e produtor de mel, teve seu primeiro contato com o universo das abelhas. A história começou ainda na infância, muito antes de ele imaginar que a atividade se transformaria em profissão.
Essa relação teve início há mais de três décadas, quando ele acompanhava de perto o trabalho da avó, uma das principais responsáveis por despertar nele o interesse pela apicultura.
Na época, ele ajudava na fabricação das caixas utilizadas na criação das abelhas, mas não pensava em seguir os passos da família. O interesse pela atividade ganhou força anos depois, durante a graduação em Engenharia Florestal na Universidade Federal do Acre (Ufac), quando cursou uma disciplina optativa sobre apicultura e passou a enxergar o setor com outros olhos.
“Aprendi sobre as abelhas com a minha avó. Ela fez cursos na área e foi quem me apresentou esse universo quando estávamos em São Paulo e hoje percebo que essa paixão começou dentro de casa”, recorda.
Herança afetiva
O que começou como uma herança afetiva atravessou gerações e se transformou em um empreendimento familiar. Atualmente, Bruno divide a rotina do apiário com a esposa e a filha, que participam de diferentes etapas do processo, desde o manejo das colmeias até a comercialização dos produtos.
“Hoje a atividade envolve toda a minha família. Minha esposa ajuda no manejo e nas vendas, e minha filha também participa sempre que pode. Isso acaba se tornando muito mais do que um negócio. É uma atividade que aproxima a família e fortalece nossos laços”, afirma.
Segundo o produtor, essa realidade é comum entre os pequenos apicultores acreanos. Em muitas propriedades, a produção de mel depende diretamente do envolvimento familiar, com cada integrante assumindo funções complementares para manter a atividade economicamente viável.
“A maioria dos pequenos produtores trabalha em família. Muitas vezes, a apicultura funciona como uma fonte complementar de renda, e os custos para contratar mão de obra especializada são altos. Por isso, cada membro acaba contribuindo de alguma forma para que o trabalho aconteça”.
Aprendendo com as abelhas
Além do aspecto econômico, o engenheiro destaca que a convivência com as abelhas proporciona ensinamentos que vão muito além da produção de mel.
“Quem observa uma colmeia percebe que existe uma organização impressionante. Cada abelha tem uma função e todas trabalham pelo bem da coletividade. Acho que isso também nos ensina muito sobre cooperação, responsabilidade e convivência.”
Para ele, fortalecer a apicultura significa preservar uma tradição familiar, gerar renda e contribuir para a conservação ambiental.
“Produzir mel vai muito além do produto final. É cuidar das abelhas, preservar as áreas naturais e garantir a polinização das plantas. Quando a família participa desse processo, o trabalho ganha um significado ainda maior”.
Da coleta na mata à produção manejada
Em Xapuri, o produtor Francisco Carlos de Socorro encontrou na apicultura uma oportunidade de ampliar a renda da família e investir em um negócio sustentável. Há cerca de quatro anos, ele deixou de atuar apenas na coleta extrativista de mel em colmeias encontradas na floresta para iniciar a criação manejada de abelhas.
A mudança aconteceu após receber o incentivo do proprietário da fazenda onde trabalha. “Antes eu retirava mel da mata. Depois recebi apoio para começar a criar abelhas de forma manejada. Comecei com apenas quatro caixas e fui ampliando aos poucos”, lembra.

O crescimento da atividade foi rápido. Atualmente, o produtor mantém cerca de cem caixas de abelhas sem ferrão e também algumas colmeias de espécies com ferrão nativas da região. A produção inclui diferentes tipos de mel, um diferencial que, segundo ele, agrega valor ao produto comercializado.
Embora continue exercendo outras funções na propriedade rural, Francisco afirma que a apicultura se tornou uma importante fonte de renda para a família. “A produção de mel vem complementando nossa renda e ganhando cada vez mais espaço dentro da propriedade”, destaca.
A comercialização ocorre principalmente por encomendas e entregas para clientes da região. Além disso, os produtos também são vendidos em um ponto comercial em Epitaciolândia, o que amplia o alcance da produção.
Buscando diversificar os negócios, a família passou a investir, neste ano, na fabricação de sabonetes artesanais à base de mel. A novidade foi apresentada durante a feira e chamou a atenção dos visitantes.
“Trouxemos os sabonetes para agregar valor à produção e a aceitação do público tem sido muito positiva”, conta.
Ele apresentou os produtos durante a 1ª Feira do Mel, em Rio Branco, que ocorreu no final de outubro. Com os resultados obtidos durante o evento, o produtor comemorou.
O movimento superou as expectativas e abriu novas oportunidades de mercado. “As vendas foram excelentes e estamos felizes por mostrar nosso trabalho e conquistar novos clientes”.