Editorial

E agora?

Mais de oito em cada dez propriedades rurais do Acre não teriam nenhum tipo de embargo

Por Itaan Arruda ·
mais de oito em 10 propriedades do Acre não têm problemas com embargos. (Foto: Sérgio Vale)

Durante a semana que passou, o secretário de Estado de Meio Ambiente, Leonardo Carvalho, trouxe dados sobre embargo ambiental que recolocam o tema em novos termos. O administrador contesta a ideia já consolidada de que o problema relacionado aos “embargos ambientais” são os mais graves relacionados ao setor produtivo.

De fato, virou senso comum tratar do assunto nesses termos. O problema é que ele traz números que fica difícil sustentar a tese. Só para começar a conversa, reparemos nos seguintes dados: atualmente, no Acre, há 56.69 mil cadastros ambientais ativos. Isso abrange uma área de 8,24 milhões de ha. Desse montante, 5,81 milhões de ha (70%) da área cadastrada permanecem com vegetação nativa preservada. A área efetivamente utilizada para a produção é de 2,43 milhões de ha. “É menos de um terço do total cadastrado”, diz o secretário.

Só aí nós temos muito o que conversar. Só por esses dados, percebe-se que existe uma desgraçada manipulação do debate. Tem pouca gente manipulando e muita gente sendo manipulada nesse debate. A geografia da ocupação produtiva mostra que a floresta está preservada. Não existe o fantasma da produção destruindo a floresta sem dó. Esses dados (frise-se) foram divulgados pelo secretário de Estado de Meio Ambiente, Leonardo Carvalho em artigo publicado neste mesmo espaço.

“A base cadastral mostra que são propriedades pequenas, composta majoritariamente por imóveis de pequeno porte e de perfil familiar, onde mais de 96% desses imóveis têm até 4 módulos fiscais, o que, na realidade acreana, equivale a algo em torno de 400 hectares”, detalha Carvalho.

Repare o leitor nesse outro dado, ainda mais expressivo, colocado pelo administrador público Leonardo Carvalho. “Somando os embargos vigentes no estado — 3.901 do IBAMA, 768 do IMAC (de 2023 a 2026), e 1.264 do ICMBio, com dados atualizados em 16 de setembro de 2026 —, o levantamento indica pouco menos de 9 mil propriedades atingidas, cerca de 15,6% do total de cadastros. Ou seja, mais de oito em cada dez propriedades rurais do Acre não teriam nenhum tipo de embargo”, contabiliza.

É preciso repetir o raciocínio para que fique claro: “mais de oito em cada dez propriedades rurais do Acre não teriam nenhum tipo de embargo”. A pergunta é: “E agora?” São dados tão expressivos que arrebentam de um lado a outro da mesa de debate. Os ambientalistas ficam com a retórica enfraquecida, assim como os representantes do setor produtivo também.

Ele citou também outra informação ligada ao comércio da carne. E trouxe dados, inclusive do Ministério Público Federal. Diz ele. “No âmbito do Programa Carne Legal, utilizado por frigoríficos e compradores para liberar a aquisição de gado e outros produtos, 31,14 mil dos 56,69 mil imóveis cadastrados no Acre, cerca de 54,9%, já estão aptos para comercialização. Isso significa que mais da metade da base cadastral está apta segundo esse critério”.

Quase 55% dos produtores de carne estão livres, leves e soltos para comercializar o gado que têm. Mas nas redes sociais e até mesmo nas reportagens e conversas em balcão de casas agropecuárias o tom é outro. O espírito é de que está todo mundo engessado, sem poder produzir etc etc. Repete-se a pergunta: E agora?

E para selar o problema com pá de cal, outro número: “98% da área cadastrável do Estado já está inscrita no Sistema de Cadastro Ambiental Rural (SICAR)”, diz Leonardo Carvalho. Esse dado mostra como o produtor respeita e não entende o fator ambiental como um impeditivo ao trabalho. Isso é outro dado que desmancha a retórica de muita gente. O secretário lembra que nos 46 mutirões que foram feitos nos últimos anos. Foram realizados mais de 3,1 mil atendimentos. Entre dezembro de 2024 e março de 2026, o número de análises sem pendências cresceu 85%. Nesse mesmo período, aumentou em 37% os encaminhamentos ao Programa de Regularização Ambiental (PRA).

É muito grave o que foi repassado pelo secretário. Estabelece novos referenciais. As fontes de Carvalho foram Dashboard SeloVerde AC (CIGMA/SEMA-AC) e SICAR, dados atualizados em 16/09/2026; Apresentação CAR Acre ao STF (última atualização em 22/04/2026); Relatório CAR Acre Sobreposição (SICAR/SFB, 2024). O debate está posto com novos referenciais.

Compartilhe esta notícia
Enviar no WhatsApp
Siga o AC24 Agro
VC Repórter
Flagrou algo no campo? Mande sua pauta ou denúncia pra gente.
(68) 99950-7016

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *