A produção industrial brasileira recuou 0,6% em agosto de 2026, na comparação com julho, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com agosto do ano passado, a queda foi de 1,2%. O resultado interrompeu a variação positiva de 0,1% registrada em julho e reforçou a perda de ritmo da atividade industrial.
No acumulado de janeiro a agosto, a indústria ainda registra crescimento de 0,8%. Em 12 meses, a expansão é de 0,6%. Já a média móvel trimestral, indicador que ajuda a observar a tendência mais recente da produção, apresentou queda de 0,7% no trimestre encerrado em agosto.
Um dos principais destaques para o setor agropecuário foi a forte retração na produção de bens de capital agrícolas. Na comparação com agosto de 2025, a fabricação desses equipamentos caiu 36,5%.
O resultado foi influenciado principalmente pela menor produção de tratores agrícolas, máquinas para colheita, equipamentos para limpeza e seleção de grãos, máquinas e aparelhos para projetar ou pulverizar produtos agrícolas e secadores para produtos agrícolas.
A queda ocorreu dentro do segmento de bens de capital, que recuou 4,1% em agosto na comparação anual. Foi a quinta taxa negativa consecutiva nessa base de comparação. No acumulado de janeiro a agosto, a retração desse segmento chega a 5,3%.
Além dos bens de capital agrícolas, também houve queda na produção de bens de capital de uso misto, de 13,2%, e para fins industriais, de 0,6%. Em sentido contrário, cresceram os segmentos destinados à geração e distribuição de energia elétrica, com alta de 8,5%, equipamentos de transporte, com 2,2%, e construção, com 0,8%.
Produção de alimentos avança
Na passagem de julho para agosto, a produção de produtos alimentícios cresceu 1,0% e foi a principal influência positiva entre as atividades industriais. Foi o segundo avanço consecutivo do setor, que acumulou alta de 2,2% nesse período.
Entre as demais atividades que tiveram crescimento em agosto estão produtos diversos, com alta de 8,4%, produtos químicos, com 0,9%, e metalurgia, com 0,8%.
Apesar disso, 16 dos 25 ramos industriais pesquisados apresentaram queda na comparação com julho. Os maiores recuos foram registrados na produção de produtos do fumo, que caiu 23,4%, produtos farmoquímicos e farmacêuticos, com -5,5%, e indústrias extrativas, com -0,7%.
Indústria acumula alta de 0,8% no ano
Entre janeiro e agosto, a indústria brasileira acumula crescimento de 0,8%. As indústrias extrativas tiveram alta de 6,1%, enquanto coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis avançaram 3,1% e veículos automotores, reboques e carrocerias cresceram 5,8%.
Por outro lado, máquinas e equipamentos tiveram queda de 7,8% no acumulado do ano. O resultado foi pressionado pela menor fabricação de aparelhos de ar-condicionado, máquinas para colheita, tratores agrícolas, equipamentos para o setor agrícola, bombas, secadores e silos metálicos para cereais, entre outros produtos.
Na avaliação por grandes categorias econômicas, bens de consumo duráveis cresceram 2,1% no acumulado do ano, enquanto bens intermediários avançaram 1,6%. Bens de consumo semiduráveis e não duráveis ficaram estáveis, com variação de 0,0%.
O único resultado negativo foi registrado pelos bens de capital, com retração de 5,3%, puxada principalmente pela queda de 22,8% na produção de bens de capital agrícolas.
