Editorial

Feito no Acre: o constrangimento que ensina

Por Redação ·

O fato mais importante da semana que passou envolvendo o setor produtivo e o industrial foi a chegada do movimento Feito no Acre no segmento supermercadista. A ideia foi concebida pelo Fórum Empresarial de Inovação e Desenvolvimento e traz um convite que, se não é novo, é sempre desafiador para um consumidor que, culturalmente, naturalizou o entendimento que “só é bom o que é de fora”.

Na última terça-feira (1º), os representantes dos grupos Arasuper e Mercale, junto com agentes públicos e os presidentes da Federação das Indústrias, Sebrae e Federação da Agricultura e Pecuária do Acre organizaram uma simples solenidade para marcar o início do movimento nas unidades varejistas dos grupos empresariais.

Os produtos já estavam ali nos supermercados. Sempre estiveram. “Ah… então, quer dizer que a campanha ‘Feito no Acre’ é apenas a separação desses produtos, como forma de chamar atenção do consumidor!?” É isso que o ac24agro chama atenção.

Assessoria Fieac

O movimento Feito no Acre vai muito além disso. Primeiro porque vai além da relação de consumo. Existe um esforço institucional, na relação com o Governo do Acre, para que as indústrias instaladas no estado continuem tendo incentivos e apoios para que os produtos oferecidos se consolidem no mercado regional.

O segundo ponto a ser destacado é a mudança comportamental. Esse é um aspecto desafiador para a equipe do Fórum Empresarial e para a indústria acreana: fazer com que o consumidor mude a relação de consumo não apenas por um motivo de gosto (ofertando um produto tão bom quanto o que é trazido de outros estados), mas por um elemento causal que obedece ao seguinte princípio: consumir produtos locais estimula a economia regional. É uma decisão de natureza econômica e, portanto, política.

Por isso, o Feito no Acre não é trivial. Nem a palavra “campanha” é adequada porque restringe muito o olhar do consumidor ao viés publicitário. Como visto, o Feito no Acre vai muito além. A ideia se aproxima muito mais da palavra “movimento” porque exige, além das questões estritas ao consumo imediato, pressões e articulações institucionais de toda ordem para fazer com que a indústria local se viabilize. E isso vai muito além das frases e imagens publicitárias.

O movimento Feito no Acre ganha força ao se expor em gôndolas porque compartilha com cada consumidor, de forma mais clara, a responsabilidade de fortalecer a economia regional. E isso está nos gestos mais simples: desde comprar um saco de lixo, um pacote de café, um corte de suíno ou um quilo de frango. É quase como constranger o indivíduo que, ao ignorar o selo “Feito no Acre” e se dirigir ao produto ao lado, vá carregando junto o peso da voz do inconsciente: “estou gerando mais emprego e mais renda em Minas Gerais ou no Espírito Santo comprando esse outro café”. Esse constrangimento é pedagógico.

Sebrae, Fieac, Faeac e Governo do Acre erram, caso não mantenham constância na divulgação desse movimento. É preciso manter a frase “Feito no Acre” como parte da rotina. Uma campanha publicitária tem começo e fim. O “movimento” é constante e sem interrupção.

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