O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) aprovou o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) para o cultivo do feijão 2ª safra, em sistema de sequeiro, no Acre, para o ano-safra 2026/2027. A medida foi estabelecida pela Portaria SPA/MAPA nº 351, de 20 de agosto de 2026, e estabelece os parâmetros climáticos e agronômicos que devem ser considerados pelos produtores para reduzir os riscos de perdas na lavoura.
O estudo considera três níveis de risco climático — 20%, 30% e 40% — e leva em conta fatores como disponibilidade hídrica, temperaturas durante o ciclo da cultura, produtividade esperada e ocorrência de condições adversas durante o florescimento. Para ser considerado apto ao cultivo, o município precisa apresentar, em pelo menos 20% de sua área, condições climáticas dentro dos critérios definidos pelo zoneamento.
De acordo com o MAPA, o feijoeiro é especialmente sensível às condições de temperatura e disponibilidade de água durante a fase reprodutiva. Temperaturas superiores a 35°C durante a floração podem comprometer o rendimento, enquanto períodos de deficiência hídrica, principalmente nos 15 dias que antecedem a floração e durante o início da formação das vagens, podem reduzir o número e o tamanho das vagens e de sementes por planta. O excesso de calor também pode provocar esterilização do pólen e queda de flores.
O zoneamento utilizou o modelo de simulação CROPGRO-Drybean para avaliar o desenvolvimento, crescimento e produtividade do feijoeiro em condições de sequeiro. A análise foi baseada em séries históricas de dados meteorológicos de 30 anos, entre 1992 e 2022, reunindo informações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/INPE) e redes estaduais. A base também foi complementada por dados de precipitação obtidos pelo sistema CHIRPS.
Entre os critérios utilizados estão a probabilidade de produtividade abaixo do esperado, ocorrência de temperaturas máximas iguais ou superiores a 36°C durante o florescimento, temperaturas médias abaixo de 19°C e condições relacionadas ao excesso hídrico nos 30 dias finais do ciclo. O estudo também considera diferentes capacidades de armazenamento de água do solo, classificadas de AD1 a AD6.
Apenas uma cultivar foi indicada para o Acre
Para o ano-safra 2026/2027, a portaria informa que apenas uma cultivar foi enquadrada entre as variedades indicadas para o cultivo do feijão 2ª safra no estado. Trata-se da ANfp 119, pertencente ao Grupo II e registrada pela Agro Norte Pesquisa e Sementes Ltda.
O Grupo II reúne cultivares com ciclo médio igual ou superior a 80 dias entre a semeadura e a maturidade fisiológica. Segundo o documento, nenhuma cultivar indicada para o Acre foi enquadrada no Grupo I, formado por materiais de ciclo curto, com média de 70 dias.
O MAPA reforça que os produtores devem utilizar sementes produzidas de acordo com a legislação brasileira sobre sementes e mudas e buscar junto aos obtentores ou mantenedores as informações específicas sobre características e recomendações de cada cultivar.
ZARC considera condições do solo e manejo
O zoneamento também estabelece restrições para áreas que não apresentam condições adequadas ao desenvolvimento da cultura. Não são indicadas para o cultivo áreas de preservação permanente, solos com profundidade inferior a 60 centímetros, terrenos muito pedregosos, áreas com mais de 90% de areia na composição granulométrica e locais que não atendam à legislação ambiental ou às regras do Zoneamento Ecológico-Econômico.
As seis classes de água disponível no solo, de AD1 a AD6, podem ser utilizadas na avaliação do risco de déficit hídrico. A capacidade de armazenamento de água disponível é calculada considerando a profundidade efetiva do sistema radicular e as características físicas do solo.
A portaria ressalta ainda que os resultados do ZARC pressupõem a adoção de manejo agronômico adequado. Problemas relacionados à fertilidade do solo, escolha inadequada de cultivares, controle insuficiente de plantas daninhas, pragas e doenças ou falhas nas práticas de conservação podem provocar perdas de produtividade independentemente do nível de risco climático indicado.
Plantio é organizado em períodos de dez dias
O ZARC trabalha com períodos de semeadura divididos em decêndios, ou seja, intervalos de aproximadamente dez dias ao longo do ano. Para o cálculo do risco, o estudo considera que a emergência das plantas ocorre, em condições normais, entre cinco e dez dias após a semeadura.
Caso a emergência aconteça 11 dias ou mais depois do plantio, o produtor deverá considerar como referência o risco correspondente ao decêndio imediatamente anterior ao da emergência registrada.
A relação detalhada dos municípios aptos ao cultivo e dos respectivos períodos de semeadura para o feijão 2ª safra no Acre está disponível no Sistema de Zoneamento Agrícola de Risco Climático (SISZARC), no Painel de Indicação de Riscos do ZARC e no aplicativo Plantio Certo, disponibilizado para celulares com sistemas Android e iOS.
A portaria tem vigência específica para o ano-safra 2026/2027 e entrou em vigor na data de sua publicação. Para os produtores acreanos, o zoneamento funciona como uma ferramenta de planejamento da segunda safra, permitindo definir a época de plantio com base no histórico climático e nas características de cada região, reduzindo a exposição da lavoura aos principais eventos meteorológicos capazes de comprometer a produtividade.