O vereador de Rio Branco e candidato a deputado estadual Zé Lopes (Republicanos) questionou, durante entrevista ao ac24horas na penúltima noite da Expoacre 2026, a aplicação de recursos públicos pela Prefeitura de Rio Branco em projetos voltados ao setor produtivo. Produtor rural, ele criticou principalmente o investimento que, segundo ele, chegou a cerca de R$ 20 milhões na chamada “Vaca Mecânica” e em estruturas de beneficiamento, e defendeu que os recursos sejam direcionados para infraestrutura rural, recuperação de ramais e geração de emprego e renda.
Segundo Zé Lopes, investimentos dessa magnitude deveriam estar associados a resultados diretos para os produtores e para a população rural. Na avaliação dele, a aplicação dos recursos na fábrica de leite de soja não teria atendido às principais necessidades do setor produtivo.
“Eu não entendo como é que a Prefeitura de Rio Branco gastou R$ 20 milhões para fazer uma fábrica de leite de soja para depois descobrir que a nossa soja aqui não serve para isso”, afirmou.
O vereador defendeu que o mesmo recurso poderia ter sido aplicado na recuperação de ramais, beneficiando produtores de diferentes portes e também moradores que dependem das estradas rurais para acessar serviços públicos.
“Se tivesse pego esses R$ 20 milhões e investido em ramais, hoje a gente estava beneficiando o pequeno, o médio e o grande produtor, além da criança que precisa sair de casa para pegar o ônibus para chegar à escola e da ambulância chegar em uma emergência”, disse.
Além da “Vaca Mecânica”, Zé Lopes também citou a estrutura de beneficiamento de produtos agrícolas implantada pela Prefeitura de Rio Branco. Para ele, investimentos em unidades de processamento precisam estar acompanhados de uma política de incentivo à produção e de garantia de mercado para os agricultores.
Na avaliação do produtor rural, não basta instalar estruturas para beneficiar a produção se os agricultores não tiverem condições de produzir, transportar e comercializar seus produtos.
Crítica à aplicação dos recursos
A crítica faz parte de uma avaliação mais ampla feita pelo vereador sobre a aplicação de recursos públicos no Acre. Segundo ele, existe uma inversão de prioridades tanto no governo do Estado quanto na Prefeitura de Rio Branco.
Zé Lopes defendeu que investimentos públicos sejam concentrados em áreas como saúde, infraestrutura, produção rural, geração de emprego, renda e comércio exterior.
“O que está faltando realmente é colocar as prioridades certas nos lugares certos”, afirmou.
Ele também mencionou a atuação do Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC) na fiscalização dos gastos públicos e citou o caso envolvendo a tentativa de aquisição de uma área para a realização da Expoacre.
Para o vereador, a definição de prioridades precisa considerar as necessidades mais urgentes da população e o potencial de cada investimento para movimentar a economia.
“Se você está com o telhado da sua casa cheio de goteira, você não vai investir em embelezamento de jardim. Hoje, o que eu vejo, tanto no governo do Estado como na Prefeitura de Rio Branco, é uma inversão de prioridades”, declarou.
Produção rural
Produtor rural, Zé Lopes afirmou que o fortalecimento do setor agropecuário deve ser uma das principais estratégias para o desenvolvimento econômico do Acre.
Ele lembrou que o Estado está distante dos grandes centros consumidores e não conta com uma estrutura econômica semelhante à Zona Franca de Manaus. Por isso, defendeu investimentos capazes de aumentar a produção e agregar valor aos produtos locais.
“O Acre está afastado dos grandes centros urbanos e não tem uma Zona Franca como Manaus. Então, esse investimento na produção rural é fundamental para desenvolver o nosso Estado”, afirmou.
Na avaliação do vereador, a melhoria da infraestrutura rural é fundamental para que o produtor consiga escoar sua produção e para que serviços básicos, como transporte escolar e atendimento de saúde, cheguem às comunidades do interior.
Iniciativa privada na Expoacre
Ao avaliar a estrutura da Expoacre 2026, Zé Lopes também defendeu uma participação maior da iniciativa privada na feira.
Segundo ele, os espaços de maior destaque deveriam ser ocupados por empresas que estejam investindo no Acre e contribuindo diretamente para a geração de empregos e renda.
“Eu gostaria muito de ver, como em outras exposições do Brasil, que esses estandes mais bonitos fossem de empresas que estivessem investindo aqui e realmente gerando emprego e renda, e não sendo bancados pelo governo do Estado”, declarou.
Para o vereador, a Expoacre pode ser utilizada não apenas como espaço de entretenimento e exposição, mas também como uma vitrine para investimentos privados, negócios e novas oportunidades para o setor produtivo.
Melhoramento genético
Durante a entrevista, Zé Lopes também comentou o leilão realizado pela Galileu Leilões durante a Expoacre, que teve entre os destaques a negociação do touro Nelore Famoso do Lemos por R$ 183 mil.
Segundo ele, um animal com esse valor pode representar um investimento estratégico para produtores que possuem estrutura para explorar seu potencial genético.
“Você não vai pegar um touro desse e colocar para ele emprenhar uma vaca por ano. Você vai coletar o sêmen e fazer inseminação artificial em tempo fixo para tirar 200 bezerros dele por ano”, explicou.
O vereador contou ainda que, há cerca de cinco ou seis anos, retirou os machos de sua propriedade e passou a utilizar exclusivamente a inseminação artificial em tempo fixo (IATF) para reprodução do rebanho.
“Hoje, 100% da minha cria é feita através de inseminação artificial em tempo fixo. Com alguns produtos e protocolos, a gente sincroniza o cio das fêmeas e coloca 200 pela manhã e 200 à tarde”, relatou.
Para Zé Lopes, o uso de tecnologias de reprodução e melhoramento genético demonstra como investimentos direcionados podem aumentar a produtividade e gerar retorno econômico para o produtor rural.
Ao concluir a entrevista, o vereador reforçou que o desenvolvimento do Acre depende, na avaliação dele, de uma política de investimentos que priorize a produção, a infraestrutura e a geração de renda, especialmente no meio rural.