O deputado federal e pré-candidato à reeleição, Zé Adriano (Progressistas), criticou na noite desta sexta-feira, 07, durante a sétima noite da Expoacre, a falta de planejamento de longo prazo para o desenvolvimento econômico do Acre e afirmou que os governos estaduais têm adotado medidas pontuais, que classificou como “puxadinhos”, em vez de consolidar uma estratégia para os setores produtivos.
Segundo o parlamentar, as propostas discutidas pelo setor industrial foram construídas ao longo de anos e têm como objetivo integrar as necessidades do agronegócio, da indústria, do comércio e dos serviços. A intenção, afirmou, é entregar ao próximo governo uma agenda estruturada, capaz de orientar investimentos e políticas públicas.
“Eu sei o que o agro precisa, o agro sabe que a indústria precisa, o comércio e o serviço da mesma forma. Então, a gente consolida as propostas numa só, para que o próximo governo tenha condição de analisar, no detalhe, cada uma dessas propostas e ver a unidade”, afirmou.

Zé Adriano disse que uma das principais preocupações é evitar que as administrações estaduais adotem apenas partes das propostas apresentadas pelos setores produtivos, sem transformá-las em uma política permanente de desenvolvimento.
“A nossa maior angústia é que cada governo que se propõe a governar este Estado faz puxadinho de alguma dessas propostas e não integra isso de uma maneira concreta”, declarou.
O deputado afirmou ainda que, agora na condição de integrante da bancada federal, pretende assumir compromisso com as demandas apresentadas pelos setores produtivos, inclusive por meio da destinação de emendas parlamentares.
“Enquanto deputado federal, a gente assume o compromisso com essas demandas, com os setores, não só como fiscal, mas também como financiador, porque as nossas emendas vão estar dentro dessa nossa proposta”, disse.

O parlamentar também demonstrou frustração com a atuação conjunta da bancada federal do Acre e afirmou que falta coordenação entre os deputados e senadores para transformar as demandas do Estado em uma agenda comum.
“Eu tomei posse como deputado federal no meu primeiro ano e fiquei muito chateado. Em algumas entrevistas eu falei que me considerava frustrado, porque você chega lá com a vontade de ver essas coisas sempre trabalhadas em formato conjunto”, afirmou.
Segundo ele, a existência de um coordenador ou líder da bancada não significa, necessariamente, que haja consenso ou uma estratégia conjunta entre os parlamentares. “Não tem coordenação. Isso é muito claro. Essa história de líder de bancada precisa ser colocada de forma muito honesta para a comunidade, para a sociedade, para o cidadão. O nome existe, mas ele não coordena uma condição de fazer consenso, de estabelecer aquilo que realmente importa. É cada um puxando pro seu lado”, criticou.
José Adriano defendeu que a bancada trabalhe com um “caderno de necessidades” do Acre, elaborado a partir de estudos técnicos e capaz de orientar a destinação de recursos federais para investimentos estratégicos. Para exemplificar, mencionou uma emenda de cerca de R$ 45 milhões destinada à construção da ponte de Rodrigues Alves, no Acre que ainda não foi executada.

““Foi alocado R$ 45 milhões e, até hoje, não foi executado. É um recurso do orçamento que não volta, tem que ser empregado lá. Nem todas as emendas que a gente faz a alocação conseguem, na prática, ser desembolsadas pelo governo federal, por conta dessa ineficiência do processo em si”, afirmou.
Ao comentar as dificuldades para transformar as demandas dos setores produtivos em políticas públicas, José Adriano afirmou que a bancada possui força política, mas não consegue utilizá-la de forma conjunta.
“Bem, estou sendo bem claro aqui, como você falou, mas também não quero ser agressivo com ninguém. Mas a bancada tem muita força, mas essa força foi banalizada”, afirmou.
O deputado também avaliou positivamente a atuação da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) no Acre e citou a instalação de unidades industriais em municípios onde, segundo ele, esse tipo de empreendimento antes parecia pouco provável.
“A indústria, seja ela no formato de cooperativa, seja de outra forma, mas o processamento é extremamente importante, porque agrega valor melhor à produção e gera renda”, afirmou.