A produção de milho da primeira safra no Acre cresceu 10,8% em um ano, passando de 88,3 mil para 97,8 mil toneladas, segundo levantamento da Federação da Agricultura e Pecuária do Acre (FAEAC), com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Ao mesmo tempo, o mercado internacional passou a trabalhar com uma oferta mais apertada, após o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduzir a estimativa para a produção norte-americana.
No Acre, a área plantada passou de 29,7 mil para 31,1 mil hectares entre agosto de 2025 e agosto de 2026, crescimento de 4,7%. O rendimento médio também melhorou, saindo de 2.972 para 3.144 quilos por hectare, alta de 5,8%.
O resultado representa uma produtividade de aproximadamente 52,4 sacas de milho por hectare. Apesar do avanço, o desempenho ainda é considerado limitado, principalmente porque a primeira safra concentra muitos produtores da agricultura familiar, com cultivos de menor nível tecnológico e, em muitos casos, destinados à subsistência.
Para a FAEAC, há espaço para novos ganhos de produtividade a partir de medidas como melhoria da fertilidade do solo, ajuste da população de plantas, manejo fitossanitário e utilização de híbridos mais adaptados às condições do Acre.
No mercado internacional, o relatório WASDE, do USDA, reduziu de 406,73 milhões para 401,32 milhões de toneladas a previsão de produção de milho dos Estados Unidos na safra 2026/27. A revisão representa uma queda de 5,41 milhões de toneladas.
A estimativa de produtividade norte-americana também recuou, de 11,34 para 11,2 toneladas por hectare. Com a redução da oferta, o preço médio projetado ao produtor passou de US$ 177,17 para US$ 188,98 por tonelada.
Os estoques mundiais de milho também foram revisados para baixo, de 274,7 milhões para 272,1 milhões de toneladas.
Outro fator apontado no relatório é a redução da projeção para as exportações brasileiras de milho, estimadas em 43 milhões de toneladas. A previsão considera o aumento da utilização do cereal no mercado interno, especialmente para a produção de etanol.
O cenário internacional pode influenciar as condições de comercialização do milho brasileiro, enquanto o Acre registra crescimento da produção e da área cultivada. Para os produtores que ampliam a atividade, a combinação entre maior produtividade estadual e mudanças na oferta global passa a ser um fator relevante para o planejamento da próxima safra.