A pré-candidata a deputada federal Perpétua Almeida e o deputado estadual Edvaldo Magalhães, ambos do PCdoB, defenderam durante entrevista ao ac24horas na noite desta sexta-feira, 07, na Expoacre a ampliação da industrialização e do cooperativismo como caminhos para gerar emprego, renda e fortalecer pequenos produtores no Acre. Os dois também avaliaram o cenário político para as eleições de 2026 e afirmaram perceber um ambiente de mudança entre os eleitores.
Perpétua destacou experiências de industrialização que, segundo ela, já começam a produzir efeitos econômicos em municípios do interior do Estado. Ao citar sua passagem pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), afirmou que acompanhou iniciativas voltadas à implantação de indústrias e à aplicação de recursos em diferentes cadeias produtivas.
“Tem muita coisa boa acontecendo. Extraordinária. E a indústria foi espalhada pelos municípios do Acre e conseguiu chegar aqui”, afirmou.
Segundo a pré-candidata, durante os três anos em que esteve na ABDI, foram viabilizadas quatro indústrias de café para o Acre, além de recursos destinados a segmentos como beneficiamento de açaí e feijão. “Eu olho e vejo algo de novo acontecendo no Estado do Acre”, declarou.

Perpétua citou Mâncio Lima como exemplo dos efeitos que a industrialização pode produzir na economia local. Segundo ela, o município passou a apresentar resultados sociais positivos após a chegada da cadeia produtiva do café.
“Quando você olha os dados e vê Mâncio Lima, onde tudo começou com o café, você tem um município do Acre que tem saído mais gente do Bolsa Família. Isso é uma notícia extraordinária. Quem está fazendo isso é a indústria”, afirmou.
Para ela, a instalação de unidades de beneficiamento também estimula os produtores a ampliar a produção. “Quando a indústria chega, chega o emprego, chega gás para as pessoas, porque elas olham e falam: quem não queria plantar café? Porque imaginava que a gente ia colher e não teria onde beneficiar. E aí a gente tem que olhar para outras culturas”, disse.
Perpétua também defendeu a ampliação dos investimentos em outras culturas e citou o cacau como uma cadeia que pode repetir parte da trajetória observada com o café. “A gente precisa investir isso aqui também. Subestimavam o café há alguns anos atrás. Eu acho que o cacau vai vir nessa mesma projeção. Subestimavam, também passavam, agora começam exatamente traçando essa história do café”, afirmou.
Ela relembrou ainda uma das primeiras visitas que realizou quando chegou à ABDI, relacionada à cadeia do café, e contou uma frase que ouviu de um produtor.
“Ele disse assim: ‘Minha filha, aqui no Acre pode dar tudo errado no café, mas você ainda tem lucro’. Você quer frase mais extraordinária do que essa?”, contou.
Edvaldo Magalhães acrescentou que a industrialização precisa estar associada ao cooperativismo para que os ganhos econômicos cheguem a um número maior de produtores. “Você vai democratizando o acesso do que vem na indústria através do cooperativismo”, afirmou.
Na avaliação do deputado, a indústria representa uma etapa fundamental para consolidar uma cadeia produtiva.
“A indústria é, digamos assim, a fase mais avançada para que você consolide uma cadeia produtiva. Se você for querer plantar uma cadeia produtiva sem levar em consideração o processo de industrialização, você vai levar as pessoas ao desengano”, declarou.

Edvaldo afirmou que o mesmo raciocínio pode ser aplicado às cadeias de fruticultura que começam a se desenvolver no Acre.
“O que está acontecendo com a cadeia produtiva e com a indústria do café? Vocês vão perceber, inclusive, que já temos bons sinais, boas notícias em torno da cadeia produtiva da fruticultura”, disse.
Para ele, a combinação entre indústria e organizações cooperativas pode permitir que novas cadeias produtivas se espalhem pelo interior. “Quando ela começar a se mover, nós vamos assistir aqui se espalhar nesses municípios várias cadeias de fruticultura se consolidando. Se você muda a atividade por indústria, tem uma organização cooperativa e tem uma organização consistente por trás, aí você vai dar certo”, afirmou.
Durante a entrevista, Perpétua também avaliou o ambiente político para as eleições de 2026. Ela afirmou ter percebido uma mudança na relação da população com as lideranças de esquerda e disse que tem ouvido manifestações de eleitores pedindo o retorno de figuras políticas que já exerceram mandatos.
“A minha opinião é que melhorou muito. Eu tenho comentado muito isso com o Edvaldo. Melhorou muito. É outro mundo”, afirmou.
A pré-candidata disse que tem recebido manifestações de pessoas que demonstram saudade de sua atuação política. “Eu estou amando, porque eu estou ouvindo as pessoas. As pessoas dizem: estou com saudade de você defendendo o Acre, estou com saudade do seu mandato. Então, eu estou gostando disso”, relatou.
Edvaldo avaliou que a mudança de percepção também está relacionada a resultados concretos apresentados pelas lideranças políticas.
“Isso ajuda muito, porque isso aproxima mais. A gente sempre responde a um certo ponto e muitos questionamentos. Se for político, para crer, ele é São Tomé. Ele precisa ver”, afirmou.
Segundo o deputado, ações concretas ajudam a modificar a percepção do eleitor. “Essas atividades concretas fazem com que as pessoas mudem a opinião delas”, declarou.
Edvaldo também afirmou que os últimos anos produziram um cenário de busca por mudanças.
“Eu acho que o deslocamento desse período recente, desses últimos oito anos, com retratos, problemas e com poucas entregas, eles têm uma certa frustração. Então, tem um ambiente político de busca de mudanças. Quem se posicionar bem nesse ambiente político de busca de mudanças, com certeza, vai poder melhorar o discurso”, afirmou.

Ao falar sobre sua principal bandeira para o próximo ciclo político, Perpétua foi direta ao defender a geração de empregos por meio da industrialização e maior atenção aos pequenos produtores. “O emprego através da industrialização. Chegar aos pequenos produtores cada vez mais”, afirmou.
Ela também destacou a importância da agricultura familiar para a economia e para o abastecimento da população acreana.
“O que é o agro no Acre? Menos de 0,5% são grandes produtores. Menos de 5%, como de 3%, como de 8%, são os médios. E mais de 95% são os pequenos e a agricultura familiar”, declarou.
Para Perpétua, a política de desenvolvimento precisa priorizar justamente esse grupo. “Então, a gente precisa olhar para esses 95% que botam comida na mesa da gente”, afirmou.