Setembro atípico

Chuva em Rio Branco ultrapassa o dobro da média e registra recordes de 2026

Por ac24horas ·

Setembro de 2026 terminou com chuva acima do dobro da média histórica em Rio Branco e com novos recordes meteorológicos do ano no Acre. O balanço foi divulgado nesta quinta-feira (1º) pelo meteorologista Davi Friale, no portal O Tempo Aqui, com base em dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e da Agência Nacional de Águas (ANA).

Segundo os registros da estação automática do Inmet, a capital acreana acumulou 208,8 milímetros de chuva no mês. A média climatológica de setembro, calculada para o período de 1991 a 2020, é de 93,6 milímetros, o que coloca o volume 123,1% acima da normal. Na estação da ANA, instalada às margens do Rio Acre, o acumulado foi de 168,2 milímetros, 79,7% acima da média. A cidade teve 11 dias com chuva igual ou superior a 1 milímetro, quando a média para o mês é de sete.

O resultado contrasta com os meses anteriores. Em julho, Rio Branco registrou 25,6 milímetros de chuva e, em agosto, 20 milímetros.

Apesar do volume de chuva, setembro também concentrou os extremos de calor e de tempo seco do ano. No dia 1º, a estação automática do Inmet em Rio Branco marcou 38,1°C, a maior temperatura registrada no Acre em 2026 até o momento. No mesmo dia, a umidade relativa do ar caiu para 30%, índice que igualou o menor valor do ano, também observado em 30 de agosto.

A marca de calor, no entanto, ficou abaixo dos recordes de anos anteriores na capital. Em 2024, Rio Branco chegou a 38,6°C e, em 2023, a 39,1°C. Em 2025, a máxima foi de 37,1°C, também em 1º de setembro.

No caso da umidade, o menor índice de 2026 é o mais alto dos últimos seis anos. Desde 2021, os percentuais ficaram muito abaixo de 30% todos os anos, com mínima de 19% em 2025. De acordo com Friale, esse deve ser o principal fator para a ausência de excesso de queimadas e de fumaça neste ano, já que os campos permaneceram verdes na maior parte da região.

Outro recorde do ano em Rio Branco ocorreu em 25 de setembro, quando a estação do aeroporto registrou vento de 74,1 km/h, da direção nordeste, às 18h36. Em 2025, a maior velocidade medida no mesmo ponto foi de 77,8 km/h, em 16 de setembro.

A menor temperatura do mês no Acre foi de 15,2°C, registrada em Rio Branco no dia 7. A chuva mais forte em 24 horas ocorreu em Brasileia, com 90 milímetros no dia 6, segundo a ANA. Na capital, o maior volume em um único dia foi de 70,6 milímetros, no dia 25.

No cenário nacional, o país também registrou em setembro a maior temperatura do ano até agora, com 43,3°C em Nova Xavantina, em Mato Grosso, no dia 28. A marca não superou o recorde de 2025, quando Quaraí, no Rio Grande do Sul, chegou a 43,8°C em 4 de fevereiro.

O levantamento se concentra em Rio Branco porque as estações meteorológicas do Inmet no interior do Acre estão com defeito há meses ou sem funcionar, o que impede uma análise de todo o estado. Em Cruzeiro do Sul, o equipamento parou totalmente em 7 de março. Em Epitaciolândia, a estação deixou de transmitir dados em 24 de março, após funcionar de forma precária desde janeiro de 2025. Em Feijó, o aparelho não registra a umidade do ar desde janeiro nem as chuvas desde março. Tarauacá está sem fornecer dados há meses, e as estações de Marechal Thaumaturgo, Porto Walter e do Parque Estadual Chandless estão paradas há anos.

Escrito por Rebeca Martins Fonte: AC24Horas
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