Os preços dos produtos industriais subiram 0,36% em agosto, após dois meses consecutivos de queda, segundo o Índice de Preços ao Produtor (IPP), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para o agronegócio, um dos principais destaques foi a indústria de alimentos, que registrou alta de 1,99% no mês e exerceu a maior influência sobre o resultado geral da indústria.
O IPP acompanha a variação dos preços recebidos pelos produtores na chamada “porta de fábrica”, sem considerar impostos e custos de frete. Em agosto, 14 das 24 atividades industriais pesquisadas apresentaram aumento de preços em relação a julho.
Na indústria de alimentos, os preços avançaram 1,99%, no terceiro mês consecutivo de alta e no maior resultado desde novembro de 2024, quando a elevação havia sido de 2,18%. O setor respondeu sozinho por 0,47 ponto percentual da alta de 0,36% registrada pela indústria geral.
Entre os produtos que ajudaram a explicar esse movimento estão o arroz beneficiado e as carnes bovinas frescas ou refrigeradas. No caso do arroz, o IBGE relaciona a alta ao aumento do preço do arroz em casca, diante de uma oferta mais restrita e de uma demanda considerada forte.
Já no mercado de carnes bovinas, a pressão veio, entre outros fatores, da desvalorização de 0,8% do real frente ao dólar em agosto e da demanda externa. As carnes bovinas frescas ou refrigeradas têm peso de 12,59% na composição da atividade de alimentos.
Os derivados da soja também contribuíram para a alta. Os resíduos da extração de soja registraram avanço de preços, movimento associado ao aumento da demanda global e às perspectivas de condições climáticas desfavoráveis nos hemisférios Norte e Sul, além do efeito do câmbio.
Apesar da alta mensal, os preços dos alimentos ainda acumulam queda de 0,38% em 12 meses. No acumulado de 2026 até agosto, porém, o setor registra avanço de 2,70%, em contraste com o mesmo período de 2025, quando acumulava queda de 7,70%.
Agro também aparece entre os setores industriais
A recuperação das indústrias extrativas também teve relação direta com o mercado de commodities. O setor registrou alta de 4,33% em agosto, depois de três meses consecutivos de queda. O resultado foi influenciado principalmente pelos preços do petróleo bruto e dos minérios de cobre.
A indústria extrativa acumulou alta de 1,80% no ano e de 1,34% em 12 meses. Segundo o IBGE, o comportamento dos preços acompanha a dinâmica observada no mercado internacional.
Outro segmento ligado à produção agropecuária, o de produtos químicos, apresentou movimento contrário. Os preços recuaram 2,97% em agosto, segunda maior queda entre as atividades pesquisadas. A redução foi influenciada principalmente por produtos petroquímicos e fertilizantes.
Os preços de produtos químicos acumulam alta de 8,15% no ano, mas o resultado representa uma desaceleração em relação a julho, quando o acumulado chegava a 11,45%. Fertilizantes tiveram participação importante no recuo mensal, em um cenário descrito pelo IBGE como de demanda moderada e custos menores de aquisição de insumos importados.
Indústria acumula alta de 3,47% no ano
Com o resultado de agosto, o IPP da indústria geral acumula alta de 3,47% em 2026. Em agosto de 2025, o indicador acumulado no ano registrava queda de 3,63%.
Em 12 meses, os preços industriais subiram 2,53%, acelerando em relação aos 1,94% registrados em julho.
Entre as atividades com maiores altas acumuladas no ano estão equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos, com 17,09%; borracha e plástico, com 11,28%; outros produtos químicos, com 8,15%; e impressão, com 6,65%.
A metalurgia também apresentou avanço expressivo em agosto, de 2,13%, após queda de 0,83% em julho. No acumulado do ano, os preços do setor subiram 5,45%, enquanto em 12 meses a alta chega a 9,48%.
Considerando as grandes categorias econômicas, os bens de consumo tiveram alta de 0,96% em agosto, enquanto os bens de capital recuaram 0,01% e os bens intermediários ficaram estáveis.
Entre os bens de consumo, os semiduráveis e não duráveis tiveram alta de 1,15%, enquanto os bens duráveis avançaram 0,02%.
Os números mostram, portanto, movimentos distintos dentro da indústria brasileira em agosto: enquanto alimentos e alguns segmentos ligados às commodities pressionaram os preços para cima, fertilizantes, produtos químicos e parte dos produtos industriais registraram recuos. Para o agronegócio, o comportamento dos preços de carnes, arroz, derivados de soja e fertilizantes ajuda a mostrar como oferta, demanda, câmbio e mercado internacional continuam influenciando os custos e a remuneração ao longo das cadeias produtivas.