O presidente da Cooper Café, ex-deputado estadual Jonas Lima, foi entrevistado pelo ac24horas nesta sexta-feira (7), durante a Expoacre 2026, em Rio Branco. Na conversa, ele falou sobre os investimentos na cadeia produtiva do café, o papel do cooperativismo e os principais desafios enfrentados pelos produtores.
Jonas questiona investimentos do governo na cafeicultura
Ao avaliar a participação do governo do Estado no desenvolvimento da cultura do café, Jonas Lima afirmou que ainda existem lacunas, principalmente em determinadas regiões produtoras.
Segundo ele, o movimento de expansão da cafeicultura em uma das regiões do estado teve início a partir de uma decisão política e de recursos destinados à aquisição de mudas.
“A cultura do café começou por uma decisão política. Na época, eu era deputado estadual e, quando decidi sair da política, a última emenda nossa foi para investir em mudas de café. Foi quando começou esse movimento do café”, afirmou.
Jonas disse que, até o momento, não identificou a entrega de mudas ou outros investimentos estaduais diretamente naquela região.“Até hoje, o governo do Estado nunca entregou uma muda de café naquela região, nunca deu uma saca de adubo. Então, eu não posso dizer que o governo do Estado está investindo na cultura naquela região”, declarou.

Segundo Jonas, um dos principais diferenciais da região é a organização dos produtores por meio da cooperativa, que permite a comercialização da produção e reduz a dependência de intermediários.“Graças a Deus, nossos produtores estão organizados. A cooperativa consegue comercializar toda a produção de café da região”, afirmou.
Ele explicou que parte do café ainda armazenado não está sendo comercializada porque os próprios produtores optaram por aguardar melhores condições de mercado.
“Nós já estamos nessa fase. O produtor não quer vender porque já está com dinheiro no bolso e está especulando. Então nós não temos essa preocupação”, disse.
Para Jonas, o cooperativismo funciona como uma ferramenta estratégica para fortalecer o produtor e garantir que a comercialização seja feita de maneira organizada.“A cooperativa é a ferramenta estratégica para que os produtores não entreguem café para o famoso atravessador. A cooperativa comercializa, e do preço que nós vendemos o café só é retirado o fundo rural, que é o imposto, e o dinheiro é repassado para o produtor”, explicou.
Acrelândia é citada como alerta
Durante a entrevista, Jonas também comentou as dificuldades enfrentadas por produtores de outras regiões, citando Acrelândia como exemplo. Segundo ele, o aumento do preço do café estimulou o plantio, mas parte dos produtores não se preparou adequadamente para a etapa de secagem.
“Acrelândia não se organizou em cooperativa. O que aconteceu? O preço do café deu aquela subida, para cerca de R$ 2 mil, e todo mundo plantou café. Mas não se preparou com o secador”, afirmou.
Jonas destacou que a organização da cadeia produtiva é fundamental para evitar perdas e garantir que o produtor tenha estrutura para armazenar e beneficiar a produção.“Nós estamos organizados. Graças a Deus, nós não temos esse problema lá”, disse.
Ele também orientou os produtores a investirem em equipamentos próprios de secagem quando houver condições para isso.

Assistência técnica é apontada como novo desafio
Para Jonas Lima, depois dos avanços na organização e comercialização, o próximo grande desafio da cadeia do café no Acre é ampliar a assistência técnica aos produtores.
“Eu agora tenho várias prioridades dentro da cadeia do café. A prioridade agora é cuidar da parte técnica. Nós precisamos de técnicos”, afirmou.
Segundo ele, municípios produtores ainda enfrentam dificuldades para manter profissionais especializados para acompanhar a cafeicultura.
Jonas destacou a atuação do Sebrae no apoio aos produtores e afirmou que a instituição já disponibiliza profissionais para prestar assistência técnica à cadeia.“O Sebrae tem dado a mão. Está dando técnico diretamente para atender a cultura do café. Tem três e vai mandar agora o quarto, porque três não estão dando conta”, relatou.
O presidente da Cooper Café explicou que a assistência técnica é necessária não apenas para o plantio, mas principalmente para o acompanhamento da lavoura. “Não é só plantar o café. O desafio é cuidar dele: a broca, a cochonilha, as pragas que aparecem no café”, explicou.