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Café produzido na Reserva Chico Mendes conquista mercado e mira exportação

Raízes da Floresta estuda medidas para eliminar trades que mediam exportação para União Europeia e Estados Unidos: possibilidade de aumento da lucratividade

Por ac24horas ·

Durante a cobertura especial da 51ª Expoacre, realizada pelo AC24Agro, no Parque de Exposições Wildy Viana, em Rio Branco, a cafeicultora Keity Kety, proprietária da marca Raízes da Floresta, destacou o crescimento da produção de cafés especiais no Acre e afirmou que o próximo passo da empresa é levar o produto para o mercado internacional.

Produzido na Reserva Extrativista Chico Mendes, o café Raízes da Floresta é resultado de um modelo de produção sustentável que alia preservação ambiental, agricultura familiar e qualidade.

Segundo a produtora, o trabalho desenvolvido dentro da reserva segue rigorosamente o plano de utilização da unidade de conservação, conciliando responsabilidade ambiental, social e econômica. “É um trabalho sustentável, desenvolvido dentro da reserva extrativista, com responsabilidade ambiental, econômica e social. Queremos mostrar que o Acre produz, sim, café de qualidade”, afirmou.

Durante a entrevista, Keity explicou que um café especial não depende apenas da qualidade do grão, mas de todo o processo produtivo, desde a escolha das mudas até a colheita.

Segundo ela, a seleção dos clones, o acompanhamento técnico e o momento ideal da colheita são determinantes para garantir as características sensoriais da bebida.

“Produzir café especial não é apenas dizer que o grão é especial. O processo começa na escolha da muda, passa pelo manejo da lavoura, pelo acompanhamento técnico e pela colheita no ponto ideal de maturação. É isso que garante as notas sensoriais na xícara.”

Ela destacou ainda que a colheita da safra deste ano já foi concluída e que os trabalhos para a produção da próxima safra já começaram com a poda e os cuidados pós-colheita.

Foto: Iago Nascimento

Apoio técnico fortalece produção

A produtora ressaltou que o sucesso da marca também é resultado do acompanhamento técnico realizado por instituições parceiras.

Segundo Keity, o engenheiro agrônomo Glauco Lessa, do Sebrae Acre, realiza visitas mensais à propriedade para monitorar a lavoura, identificar precocemente doenças e orientar o manejo.

Ela também destacou o apoio da Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri), por meio da equipe da cadeia produtiva do café.“Nem eu nem o Jorge temos formação em Agronomia. Esse acompanhamento técnico é fundamental para que o Raízes da Floresta alcance a qualidade que apresenta hoje.”

Projeto nasceu durante a pandemia

Keity contou que a produção de café surgiu em 2020, durante a pandemia da Covid-19. Na época, ela trabalhava como professora em home office e, junto com o marido, Jorge, decidiu passar alguns dias com a família na Reserva Chico Mendes.

Foi nesse período que nasceu a ideia de investir na cafeicultura.“O Jorge disse: ‘Só fico aqui se for para plantar café’. A partir dali começamos a estudar tudo sobre o assunto. Procuramos a Secretaria de Agricultura, recebemos orientações da equipe técnica e conhecemos produtores experientes. Quando visitamos uma lavoura pela primeira vez, olhamos um para o outro e dissemos: é isso que queremos fazer.”

O casal iniciou o projeto com um hectare de café. Atualmente, a propriedade possui 4,5 hectares cultivados exclusivamente com cafés especiais, conciliando a atividade com outras práticas da agricultura familiar dentro da reserva.

Produção é dividida em diferentes linhas

A marca Raízes da Floresta trabalha atualmente com diferentes categorias de café. Parte da produção é destinada ao mercado tradicional, abastecendo torrefações locais. Outra parcela é separada para os cafés especiais comercializados pela marca, além dos chamados microlotes fermentados, destinados a concursos e mercados de maior valor agregado.

Keity explicou que o café fermentado passa por um processo anaeróbico de aproximadamente 15 a 17 dias, o que intensifica aromas e sabores.“O café fermentado apresenta um perfil sensorial mais complexo e encorpado. É um produto diferenciado, normalmente utilizado em concursos e muito valorizado por apreciadores.”

Segundo ela, a edição deste ano da Expoacre não conta com esse produto porque a secagem ainda está em fase final.

Outra novidade anunciada pela produtora é o investimento em irrigação da lavoura. O sistema foi implantado com recursos próprios e deverá aumentar significativamente a produtividade da propriedade.“Sentimos que era o momento de investir. Hoje já existem propriedades no Acre produzindo até 200 sacas por hectare com irrigação. Depois dos últimos anos de seca, decidimos fazer esse investimento para aumentar nossa produção.”

Próximo passo é conquistar o mercado internacional

Ao final da entrevista, Keity revelou que o objetivo da marca é ampliar sua presença além das fronteiras brasileiras.“Agora queremos mandar esse café para o mundo”, declarou.

Escrito por Saimo Martins Fonte: AC24Horas
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